domingo, 29 de junho de 2008

Evento


Desliga
Esse telefone
Não me chama
Por meu nome
Esquece etiqueta
Lá fora
A veste é intento
O evento é a sós
Puxe-me pela bainha
Em viés de atrevimento
Beije-me todas as linhas
Me fissura, tece, apura
E desalinha...

(Cris de Souza)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Danada



Súbito momento...
Certo que agora envelheço
Violo o horizonte,
Despejo razão no ar
Vendo a vida passar invertida
Fito-me assim pelos dias
Em sonoros vendavais
Debruço no céu, onde
Arrisco rotas supostas
Pela contra-mão
Liberta e suspensa,
Confusa e intensa
Dou asas ao intento,
Feito pássaro
Perco rumo,
No vento sul eu sumo
E me acho no norte
Que sorte!

(Cris de Souza)

quarta-feira, 25 de junho de 2008


no
instante
aloucado
que teu beijo
me aprisiona
viro mel
nos teus
lábios

e que
tua boca
não mais
me liberte

(Cris de Souza)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Cabal


Que tu bem cabe,
Eleito daquele arejar
Que céu bem sabe,
Deleite daquele afagar
Onde luar faz clareira
Inventa que sou estrela
Onde sol exala roseira
Movimenta luz aquarela
No tempo que vier e vibrar...
Do jeito que puder e pintar...
Somente me ame
De todas as maneiras

(Cris de Souza)

Sempre foi assim


Pelos ecos insanos dos vales de outono,
Temporais trepidam o solo e fecundam vozes
Pelas esquinas intentas e atentas aos gritos do oceano
Águas degélidas avançam incontinentes
Por continentes, ilhas, dunas e areias urbanas
Clamando a volta de seus rebentos arrebentados
Sob casulos das ondas, lagartas incautas perfuram o solo
Parindo borboletas sobre poças de selva, sal e pedra
Que alçam vôos atraidas pelos lúmens noturnos,
Vazam nas frestas das festas profanas dos hilos,
Desvirginam-se, penetrando raizes no leito quente de argila
Dunas desmancham-se em plumas propiciando refresco
De branda espuma, no outrora tíbio e rude, céu de órbita sobre-humana
Ferindo com os pés a pele agreste do chão da estrada
Deixando rastros, que do Cosmos, os astros nortearão descaminhos
Pelas curvas da terra, estrelas estimulam prece que estremece
Esferas de bênçãos em pétalas de seivas encobertas
Aqui viver é sagrado, toda pedra é alimento, toda água é benta
Toda planta olha, afaga e desvenda os desejos do solo no cio para o plantio
Tudo que solicita fecundar, fecundará e brotará, porque deve ser e será
Sorvendo sumos, néctar e leite, dos veios, das flores e dos seios
Aqui todo silêncio é mais que falado, todo plural é singular,
Toda chuva é poejo, faz no ébano flor vingar
O perdido abençoado, o ardido é adocicado
Além das contas, o sol apronta e permanece
Além dos vales, arco-íris de risos floresce
(Cris de Souza & Dionisio Ono)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Manto


Meu poeta descansa
Em expectativa...
Sabe que ele virá,
Lhe sente o cheiro
Cortinas entreabertas
E uma luz branda,
Percepção que acalma
Meu versos debruçam no leito
Dos eleitos, dos feitos, entre ais
Viscerais, entre risos desiguais,
Eu cedo. Cedo porque te amo,
Porque seu corpo me retém,
Detém, vai além dos afluentes
Deste rio que sou eu
Cedo pacificamente ao teu cheiro,
Tuas mãos, que me gastam de gozo,
Que me veste de estrelas,
Que navega meus mistérios
Macias e tão indecentes...
Íntimas e tão freqüentes...
Adormeço lua, acordo sol.


(Cris de Souza & Mara Araujo)

sábado, 21 de junho de 2008

Boom !


silêncio
eclode,
na noite
delonga
ele grita,
ele zomba
ele agita,
ele bomba

(Cris de Souza)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Órbita


Te perfuro
Entre letras
Libertas de setas
Em tua direção

Sonho entre os loucos
Esqueço das dores
Das alegrias distantes
Lembro das cores

Te perduro
Entre cometas
Órbita de metas
Em tua intenção

Arrisco as proezas
No encontro à aventura
Abraço as incertezas
De pronto à loucura

Apanho a luz nas estrelas
Em recuar ínfimo
Apalpo abismo crescente
De olhar íntimo

(Cris de Souza & Fernando Febá)



quinta-feira, 19 de junho de 2008

Denúncia de céu


Do teus olhos ouvi
Noite nesta, cheia lua
Suspira por mim

Do teu pensamento li
Alma trêmula, e tua
Sem começo e fim

Instante esse
Percebi
Pela trilha
Que teu rastro dedilha

Bastante interesse
Senti
Amor é armadilha
Feitiço de luz que brilha


(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Suspenso


você me complementa
me faz inteira
me faz primeira
estrela da manhã

você me experimenta
me faz brincadeira
me faz clareira
janela pagã

o que você vê
se me olha?
o que você quer
de mim agora?

no que você crê
se me molha
o que você tiver
de mim vigora ?


(Cris de Souza & Cáh Morandi)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Entorpecente


Cobre-me aéreo,
Dom das delícias
Despe-me do sério,
Tom das malícias
Tal vinho
Que deságua...
Qual marinho
Que embriaga...
Confesso
Que pra ele,
Meu não é um sim
Confesso
Que o sim dele,
Derrama por dentro
De mim

(Cris de Souza)

*

domingo, 15 de junho de 2008

Alados


Lira leve,
Ira breve
Lá te enlevo,
Velo
E te revelo
No que te elevo
A liberdade de ave
Mais que leve,
Mais que breve
Lume ao léu,
Cume do céu
Logo te levo
E te guardo

(Cris de Souza & Rodrigo Mebs)

(Entre)linhas




Trago-te a lua, elixir e poesia de rua
Leio tua aura e saboreio tua carne nua
Reescrevo ébrias linhas que a ti se alinha
Horas a fio que por nada me definha

Sublinho-te em versos que embriaga
Rumo a ti, intento em meu peito divaga
Se perde entre letras, respira entrelinhas
Em meu destino teu nome sublinhas

Entre a tua mão e a minha, há a palma da vida
Entre tua a alma e a minha, há voltas e idas
Metáforas te arrisco, em rabiscos te traço
Acentuada de inventos, rimados ao teu encalço

( Cris de Souza & Felipe Rey)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Ímã


É de se perder de vista...
Explendor dos olhos teus
Povoado de entrelinhas
Invadindo da luz aos breus
Fraseado de estrelinhas
É de se fazer revista...
Tal olhar; intriga, delibera
Tal olhar; coliga, vocifera
A esmo, me movimenta
E amedontra
O mesmo, que me freqüenta
E desmonta

(Cris de Souza)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Delirium Tremens


A madrugada
filtra
os primeiros
raios
Que raiam
a beira da
loucura
Da solidão
no fundo
do copo
de conhaque
Zombando
da manhã
que anseia
De gole
em gole
a insensatez
Entontece
o brinde
que ateia

(Cris de Souza & Dionísio OnO)

quarta-feira, 11 de junho de 2008


acordei
com
uma
vontade
louca

de céu
de mar
de boca

(Cris de Souza)

Fugaz


Atônito
Inconter
Sentimento
Que apronta
E respira

Ufânico
Perceber
Alumbramento
Te encontra
E revira

É quando, eu me pego...
É tanto, eu me entrego...
À mercê do pensamento
Que escapa e te relê


(Cris de Souza)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Retoque


Teu
traço
em mim
permanece,
ainda assim
estou a procura
de teus
contornos
A te esperar
despida
A te almejar
remexida
A te relembrar
perdida
pra te retocar


(Cris de Souza)

Singular



Acordou-se
No meu peito
Uma lembrança adormecida
De uma voz acolhida
Ecoando em meu ventre
Mordida

(Cris de Souza)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Indescritível




Digo, é você
Que se precipita
E no meu verbo
Apita

Sinto, é você
Se um olhar me fita
E na vida me lanço
Infinita

Veja, é você
Que se balança
E no meu seio
Avança

Pinto, é você
Que se mostra
E a pele na pele
Encosta

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Sintética N°1


Uns
gostam
de síntese
Habito
entre
a tese
e a antítese
E aceito
flores
e amores
sintéticos
Meu
coração
é um vaso
de porcelana
Frágil,
de contorno
absorto
e assimétrico
Num
ser incauto
que se modela
na lama

(Cris de Souza & Dionísio OnO)

sábado, 7 de junho de 2008


Sou
passista
num enredo
absorto
de sorrisos
e caretas

Sou
de lua
em alegoria
Sou
volúvel
adereço
Sou
avesso
em folia

(Cris de Souza)

Violação


Viola canta
Do jeito
Que o amor
Suplanta

Viola chora
Do jeito
Que o ardor
Vigora

Canta, emoção em dó
Deduz na entoada
Do violeiro no sertão

Chora, coração dá nó
Reluz de madrugada
No nevoeiro do lampião

Serão...
No acorde
Da intensidade
Lágrima desabrocha
Lembrança em seu peito
Repete feito refrão

Canção...
No sacode
É a saudade
De sua cabrocha
Que avança em seu feito
E lhe faz arrastão

(Cris de Souza)

Surreal


No
Refúgio
De arte,
De vício,
De feitiço,
De rebuliço
Intuito
Que apareça,
Me enalteça
E me amoleça
Até azular

(Cris de Souza)

Fatal



Ah, esse teu olhar...
Enternece, alcança-me profundo
Entontece, de intuito secundo
Convoca, reluz-me face à tua íris
Límpido, seduz-me feito arco-íris
Provoca a fina flor d'alma,
Cálida garoa...
Toca, aviva sina, espalma
E faz-me rir à toa...

Pois é mais que certo, eu te viso
Sois é mais que perto, eu te preciso

(Cris de Souza)

Sem horas




Não vou deixar você pensar
Nem vou deixar você escapar
Perto de ti, relógio desoriento
Perto de ti, ponteiro ao relento
Suspensos são os segundos...
Incenso badalam os minutos...
Desde que perdi meu senso
Quando fiz de ti meu tempo


(Cris de Souza)

Se...


Se
descoberta
segue
nua
e cede
sede
em
série

(Cris de Souza)

Indomável



Despenquei
Volátil
Acarinhei-me
Ao pó do vento

Debandei
Versátil
Acetinei-me
Ao nó do evento

Arejei-me
No escuro
Com garra
Fragor despedi

Agucei-me
Do furo
Com tara
Frescor despi

Demolidora
Peneirei o sumo
Aragem revidei

Devoradora
Perverti o rumo
Passagem reinventei

Assim altivei
Moldura
Na paisagem
Cratera cinzenta
Lacerei severa

Afim avivei
Figura
Da selvagem
Fera opulenta
Liberei pantera

(Cris de Souza)

Desequilíbrio


Na multidão
Embebo calar
Pelos sinais
Da reclusão
Concebo gritar
Pelos temporais

No movimento
Sutis madeixas
Entre rumores
Do argumento
Vis queixas
Entre tambores

De tempos em tempos
Instintos despertam-me
De ventos em ventos
Sentidos espetam-me

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Vampírico



Bebo
Sangue puritano
Nas veias ocultas
Sorvo a seiva
De fulano e de ciclano

Mordo
A carne
Tresvario me insepulta
Esmero em gozo
No templo mundano

Busco
O sumo ímpio
De minha ojeriza sã
Que infiltra
Celeste ímpeto
A me endiabrar

Da intensidade
Me alago
Poesia é meu divã
Da prudência
Me rasgo
Loucura a me celebrar

(Cris de Souza & Dionísio OnO)

Margens de mim


Sem esteio
Invisto em aceno
Hábito de cingir
Céus de catarses
Pungir-me
Pelo seio

Vem arreio
Insisto em terreno
Hálito de coligir
Véus de disfarces
Partir-me
Pelo meio

Ledo que comenta
Desatino assombra
Se me encubro
Escapo
Na lona

Medo que contenta
Libertino arromba
Se me descubro
Infarto
Na zona

(Cris de Souza)

Ilimitada



Esculpi
Minhas paredes
De fagulha dardejante
Realcei aquarela
No alento de cores

Encardi
Minhas redes
De marulha errante
Alcei sentinela
No acento de dores

Nos tablados
Rabisquei leve piso
Aloucado de recantos
Alumiei principado
Incidi alívios

Nos tornados
Borrei breve aviso
Bronzeado de prantos
Anuviei povoado
Infringi pavios

Aliançada
Projetei meu esboço
Dele apaguei o inatingível
Amotinada
Fulgurei meu colosso
Nele sublinhei o indefinível

(Cris de Souza)

Presente


Ganha-me de mim
Desencanta a solidão
Prende-me assim
Agiganta o coração

Revela-me os segredos
Desnorteia meu norte
Ajeita-me teu brinquedo
Manuseia minha sorte

Dê-me as pistas até você
Bagagem para me render
Dê-me os laços até buquê
Passagem para me perder

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Inteligível


Muito
antes do cedo
sem medo
de sempre
ter sido tarde
vejo resquícios
de nada
que sempre
existiram
e de noite agora
em vãos adiante
assoviam siglas
entre tempos
fundidos

(Cris de Souza & Dionísio OnO)

Cósmico


Não bata a porta
Chega bem mansinho
Nua se faz viela
Que tá posto
Teu caminho

Não feche a janela
Chega bem pertinho
Lua se faz vela
Que tá posto
Teu vinho

Deita pelo chão
De conspiração
Embevecida
Pelos intentos astrais
Me elucida

Levita pelo chão
De constelação
Estremecida
Pelos inventos cristais
Me lapida
(E de estrela me apelida...)

(Cris de Souza)

Duelo

Festividade
Sinto-me casta
Em claridade vivaz
Pelos devassos risos
Nas claves

Ferocidade
Sinto-me nefasta
Em fragilidade voraz
Pelos vastos vidros
Nas traves

Derivo meu pino
De inquietude
Na mocidade linhada
Inclino

Derivo meu hino
De plenitude
Na rivalidade apontada
Refino


(Cris de Souza)

Qualquer nota


Sou
Pranto noite e dia
A espera de um
Motim ou insensatez

Sou
Canto noite e dia
A espera de um
Clarim ou embriaguez

De mim
Fiz arredia
Ao divagar dos tempos
Orquestrar-me de vez

De mim
Fiz sinfonia
Ao balançar dos alentos
Propagar-me de vez

(Cris de Souza & Marisa Vieira)

Interesse


Passeio oportuno
Pirilampo aproveita
Do grilo noturno

(Cris de Souza)

At(r)aque


Espectro caçoa
Do marujo receoso
Acuado na proa

(Cris de Souza)

Sequiosa


Sou ébria
Sou abstrata
Sou instinto
Meu ato flameja
Meu tato fareja
Encorpada de tática
Destilada, emblemática
No teor dos tintos

(Cris de Souza)

Descoberta


Mergulho na terra
Para me vestir de flor
Perfumada da brisa
Passarinho multi-cor

Sobrevôo no oceano
Para me provir de som
Embalada de aplano
Ondas de acordeon

Canto deitada na areia
Dourada pele solar
Em mim feitiço sereia
Se ao longe escutar

Danço de pé no vento
Frisada cor no vibrar
Em mim pintura alimento
Se de ao longe azular

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Manhã desgarrada


Artimanhas pela manhã
Alva, azulada, ensolarada
Ventosa, formosa, amorosa
No pulo de delicada loba
Brancas ou amarelas rosas
Brandas, quentes, nervosas
Agitam-se nas ondas de amar
Profundas, profanas, insanas
Inundando o ventre...
Diabólicas e humanas
Audazes, engolindo a gente
Gentis e insolentes amantes
Pueris e febris inocentes
Abrasadas da arte de ser
Mãos frenéticas de si
Lábios ofegantes, fumegantes
Tremulando ao encontro etéreo
De dedos, beijos, desejos
Aplanos, insanos embriagados
De um tinto amor suburbano
Um mais um não, não mais que um
Matiz do querer, dois num só ser

(Cris de Souza & Ualace Amado)

A messalina


Tentação.
Implorou valentia ao léu, pois sua peleja era secular.
Fitou-se no espelho, ineficaz tentativa de reconhecer-se, então arriscava esquivar-se do patente.
Vestígios de esmola pairavam em teus olhos realçados de contestações.
O semblante de seu corpo modelado, atiçava apelo maestril de toques, por entre o frescor e maciez de suas entranhas calejadas.
Fascinava com hegemonia, cercava com desenvoltura.
Impunha a pauta entre séquito pecaminoso intrigando com seu olor, que invadia como éter e entontecia feito elixir.
Suas garras eram tentátulos acometidos de íntimos ímpetos animalescos.
Despudorada, roçava no rubro céuentre sortilégios exaltados, perante sua natureza perniciosade entrada milagrosa.
Mas teu caldilho era formoso, estava em úlcera.
Tão compassiva e escavada, divorciava-se.
Padecia, veneno já não mais lhe bastava.
Em cóleras urgia overdose de amor.

(Cris de Souza)

Propósito


É de licor
De suspiro e apresso
Repleto de arejamento

É de valor
De alento e adereço
Segredo de firmamento

É de beija-flor
De explendor e refresco
Perfume de intento

É de vapor
De cura e endereço
Riso de aliciamento

É de tremor
De jura e arremesso
Susto de sentimento

Selei por instinto
O mapa que desdobrei
Extraviei por labirinto
Destino lhe entreguei

(Cris de Souza)

Absurdo


Não há mais paisagens
Quando olho para a janela
Não há mais primavera
No concreto tão sisudo

Não há mais roupagens
Quando olho pintura na tela
Não há mais atmosfera
No abstrato tão desnudo

Cantaram na rua outros sons
Vestígios borrados de céus
Paredes se vestiram de véus
Apagando do poente seus tons

Silenciaram na curvas outras vias
Pela arquitetura pintada de treva
Tetos se matizaram de névoas
Acendendo de ébano as travessias

(Cris de Souza e Cáh Morandi)

Contraste


Transpareço feito água
Torneada de anágua
Alga a entoar

Resplandeço feito lua
Enfeitada cadente nua
Estrela a atuar

Clarão que desperta
Bruma que adormece
De vício e prece

Chama que acoberta
Brasa que enaltece
De noite que amanhece

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Imprevisão



Nem sempre sou afinada
Requintada no meu riso
Nem sempre sou recatada
Agraciada só se preciso

Nem sempre sou badalada
Emboscada no meu tino
Nem sempre sou temporada
Trovoada só se desatino

Eu vou estar no que desejam os olhares
Assim mulher, assim o que eu quiser
Santa desviada habitando em altares

Eu vou fincar fronteira pelos arredores
Assim fêmea, assim o que eu puder
Diabólica virada habitando em limiares

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Intimação


Me alcance
Me movimente
Me respire
Pelo avesso
E me atente

Me altere
Me sustente
Me remexe
Feito moinho
E me reivente

Me assente
Me desoriente
Me engedra
Teu complemento
E me freqüente

Me aufere
Me sacramente
Me suspende
No teu altar
E me benze

(Cris de Souza)

Bálsamo


Me confio na tua floresta
(Nos teus recantos de encantos)
Como quem entorna-se ao céu
Encosto-me sobre tuas raízes
Roçando nos ares selvagens
Das azuis alvoradas de outono
Onde íntegra natureza enflora
A felicitar aurora enlevada
Entre mariposas esmaltadas
As folhas se harmonizam
Num intenso entendimento
Entornam celeste aroma
Pelos vales que verdejam
Fluem bálsamo abençoado
Por amor enfeitiçado

(Cris de Souza)

Sufoco


Pungente sereno
Expande laço de corda
E se enforca

(Cris de Souza)