quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dilema




no ventre
há tanto sentimento
que engrandece,
tomba e evolui
nos momentos
mais ínfimos...

bem rente
há tanto envolvimento
que desobedece,
arromba e dilui
nos tempos
mais íntimos...

que tanto longe ou perto,
fronteira é instante gigante
enquanto sorte ou inverso,
você é tudo e não o bastante


(Cris de Souza)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Pleno




de onde vem
inquietude tamanha
que belisca minha carne
e alcança entranhas ?

de onde surge
alvoroço carnívoro
que devora meu sexo
e o deixa lascivo?

há solicitude
entre o gosto do gozo
que urge
há plenitude
entre o som do riso
que surge

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

segunda-feira, 28 de julho de 2008



girassol
no crepúsculo
em poesia
move
músculo

(Cris de Souza)



verso proibido
tomou partido
rimou você
comigo

(Cris de Souza)

Conto




Diante tanto idílio e tumulto, auxílio e vulto
Misturo o que reviro, transpiro o que respiro
Relatos tão confusos, de fatos tão profusos
Que nalgum tempo, já dissipei as pontas...
Que nalgum intento, me compensei às tontas...
Perante o que é vivo no meu faz-de-conta


(Cris de Souza)

sábado, 26 de julho de 2008

Lembrete




Põe tua mão sobre a minha
Nessa noite em que o céu
Se separa pela invisível linha
De extremo brilho e breu

Dispõe dos meus caprichos
Dessa vontade tamanha
Que me devora feito bicho
De suaves artimanhas

Sei que pareço incerta
Mas não tenho dúvidas
Sei que a hora é essa
Sem tentativa impudica

Hei de te almejar comigo
Mas não te esperarei tanto
Hei de celebrar em perigo
Vem depressa ou desengano

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Impulso



entre lampejos, segredos de azulejos
seduzem risos, espantam medos
sina tenta, onde vigor supera
viço alenta, onde tremor altera
por toda veia rouca...
por toda pele a solta...
na mordida, no arejo
na pegada do desejo
pelo céu da boca

(Cris de Souza)

sábado, 19 de julho de 2008

Astronautas


para aqueles
que batem asa
pouco importa
descobertas
da NASA

(Cris de Souza)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Fascínio




vê na face;
querência, urgência...
lê na haste;
dormência, imprudência...
a cerca de ti,
bom senso foge no espaço
loucura se apressa,
toma conta do pedaço
por mais que recuse,
meu olhar acena e concebe
por mais que escuse,
meu corpo envenena e recebe


(Cris de Souza)

domingo, 13 de julho de 2008

Poema


A ti, que olhos perfuro
Que fisga minhas eras
A ti, que no verbo perduro
Que instiga minhas feras
Deflagra nas claves sentidas
Arranha, alisa entre idas e vindas
Ah, composto de prazer e paúra...
Flagro teu ser com minha assinatura

(Cris de Souza)

sábado, 12 de julho de 2008



Na janela debruçada
Madrugada da agonia
Das dores escancaradas
O pranto lhe dissolvia

À melancolia deu as mãos
Paz ao longe, bem dormia
Amaldiçoava a solidão
Enquanto a noite se fez dia

(Cris de Souza)


vendei
buraco
abri
cratera
na lama
em guerra

(Cris de Souza)


duvido
na certeza
eu perigo

(Cris de Souza)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Irretratável

posso estar
nua, de anáguas
mansa, alterada
insensata, moderada
escorrego feito água
posso estar
multidão, solidão
discreta, escancarada
tonta, sabida
diaba, santa
única em tantas


(Cris de Souza)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Insolúvel


Se pudesse
Parar o tempo
Seria no instante
Que surgiu como vento

Se soubesse
Domar intento
Seria no mirante
Que avistei sentimento

Ah, se eu pudesse
O teu no meu olhar
Aprisionar naquele momento

Ah, se eu soubesse
Como te fazer eternizar
Além de aqui dentro

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Dueto


em cada
manto
te deito
me apeguei
ao teu jeito
em cada
tanto
te esbanjo
me agucei
ao teu arranjo

te esmerei
sobre altares
num dueto
juntei os tons
cantarolando
te harmonizei
sobre luares
surgiu um blues
vibrei no som
decolando

(Cris de Souza)

sábado, 5 de julho de 2008


sem
sombra
de orgulho
não sou
de guardar
entulho

(Cris de Souza)

pari
riso
abortei
choro
de parto
eu não
morro

(Cris de Souza)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Da saudade


feição bem-te-vi
destaca espaço
além da extensão
entre o céu e o mar,
além da razão;
saudade quando pinta
ocupa alma viajante,
mais vibrante
que todos enigmas
e tons do horizonte

(Cris de Souza)

terça-feira, 1 de julho de 2008


ah, chama
no inverno...
não há gelo
que resista
à explosão
entre dois seres
se destinando,
se violando,
se exaltando
é bem mais
quente
que o inferno

(Cris de Souza)