
Ah, preciso te contar...
Da canção que te sugere, do deleite que lhe dedico
Da saudade que me fere, da febre dos meus sentidos
Das taças que te bebo, das taras em delírio
Ah, preciso te contar...
Das esquinas que verguei e contigo não deparei
Dos luares que te embosquei, almejando que virias
Da fresta que investi como tu me tomarias
Ah, preciso te contar...
Dos saltos do meu peito quando tu te aproximas
Do faro do meu corpo, que implica ao seu destino
Da inspiração que ao teu balanço palpita em desatino
Ah, preciso te contar...
Dos beijos que atirei no ébano ao teu encontro
Das lágrimas confessas ao mar em alvoroço
Da estrela que adornei meus caracóis pra te amar
Ah, preciso te contar...
Dos meus risos, dos choros, dos sarros, dos sinos
Posto isso só me resta, posto isso tenho pressa
Que atravesse minha voz e saliente meu calar.
(Cris de Souza)