(aos que respiram)
Aspiro a cor do apogeu, da flor que o afeto verteu. A leveza. A beleza. A proeza. Pétalas caras, de sorte benzidas por ervas claras. Plantada na brisa, plena de figas que cantam nas alamedas vivas. Onde cigarras dançam com garra e borboletas dão asas às fadas. O bem. O zen. O além. Aspiro rios de risos, encantos cravados nas águas rupestres, celebrando o celeste na trança da esperança. Íris livre ao redor do arco-íris. O carrossel. O cordel. O céu. Aspiro o acordar da criança que encoraja a ciranda, que todo fantasma adormeça - ainda que em segredo - e o medo vire brinquedo.
(Cris de Souza)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Dizeres
(para Dionísio Ono)
Que diremos a ti, senhor de todas as eras, de todas as esferas; de tantas pronúncias, tantas minúcias. Vulcões, convulsões e a instigar sempre mais... De timbres que ecoam nas esfinges dos nós, intrigando os sóis das feras adormecidas. O avesso, o magma, as vísceras extirpadas. O emblema, as páginas, as rimas dilatadas. O que incitas em nós mulheres de um tempo anormal, onde o frágil se matou pra renascer a força, num mecanismo lunar, repleto de constelações, intenções dum grau maior que se afina a cor dos signos, ritmos e vinhas. Ah, senhor de tantas invenções, tantas emoções; de tanta sabedoria, de tanta magia, estamos aos teus pés a servir-te, como ninfas de todas as palavras, de todas as fronteiras, que gritam o perplexo, sussurram o amplexo - por cada célula, cada auréola, cada libélula - ultrapassando até os céticos nas entrelinhas. Pontos e contos infindos. Por sorte, orgasmo vital, a morte ou qualquer sentido lírico.
(Cris de Souza & Mara Araujo)
Que diremos a ti, senhor de todas as eras, de todas as esferas; de tantas pronúncias, tantas minúcias. Vulcões, convulsões e a instigar sempre mais... De timbres que ecoam nas esfinges dos nós, intrigando os sóis das feras adormecidas. O avesso, o magma, as vísceras extirpadas. O emblema, as páginas, as rimas dilatadas. O que incitas em nós mulheres de um tempo anormal, onde o frágil se matou pra renascer a força, num mecanismo lunar, repleto de constelações, intenções dum grau maior que se afina a cor dos signos, ritmos e vinhas. Ah, senhor de tantas invenções, tantas emoções; de tanta sabedoria, de tanta magia, estamos aos teus pés a servir-te, como ninfas de todas as palavras, de todas as fronteiras, que gritam o perplexo, sussurram o amplexo - por cada célula, cada auréola, cada libélula - ultrapassando até os céticos nas entrelinhas. Pontos e contos infindos. Por sorte, orgasmo vital, a morte ou qualquer sentido lírico.
(Cris de Souza & Mara Araujo)
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sentires
Sinto que me provoca, com sua lábia me enrosca nas tocaias da encosta. Numa maresia que faz a vista embarcar, a voz se elevar no ilustre abismo - entre sussurros e suspiros- onde me atiro pra respirar. Tua prosa traz a tona a poesia, dos versos insones dos dias. Sinto que me desloca, com teus absurdos me cubro – límpida insensatez – vestindo a nudez do descuido. Inunda meu ser, salta ilha no escuro, remando meus desejos mais profundos. Beira alvoroço dos pés ao pescoço, que clamam por teu bote, teu toque, teu gosto. Sinto que me evoca, num gozo delirante, onde rezam os navegantes de lábios meliantes, sob as bênçãos dos deuses despudorados. Entre conchas benzidas por tintas inflamadas, das pérolas cobiçadas. Sinto a lira. Sinto a mira. Sinto a ira. Que me prende em tuas redes, de sedas rasgadas, deitando malícia nas cavas. Por ti, me vejo molhar e me cego a sorrir- meu íntimo netuno revira. Fio tão humano, que cruza as entranhas do oceano que me dispara. Mergulho no êxtase dos meus instintos mais primitivos, toda vez que nessas ondas te pinto. Entre o risco e o riso, gozo do estranho olhar que retoca todo esse mar que recito. Sinto saudade da água que vibra no encaixe, no cais perfaz o embarque de cada areia, cada parte, cada arte que te cabe. E nesse horizonte de surto - sem ao menos naufragar, por nós eu assino o percurso.
(Cris de Souza)
(Cris de Souza)
sábado, 5 de dezembro de 2009
Ode ao sentir
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