Viro a página do diário, pra contestar a síntese, o signo, o súmário. O alarde se aviva na medida que releio essa vida sentida. Toco o indevido, o impreciso, o improviso que se sustenta nos intervalos das mortes lentas. Pra deparar ensaios, nos quais o âmago se angustia perante ao sentido do silêncio que sibila - digno de gritos homéricos- deturpando cênicos impropérios. Pulsa nas farsas, nas faltas, nas falhas - sem dalhas - onde tropeço num contexto complexo, calçando meu latim sem nome, sem nexo, sem sexo. Por algum conto absurdo das verdades - em desuso - constatando o puro das mentiras gastas . A voz farta, dá partida as partículas de hiatos sonoros, desde já tão simplórios - quanto o vento sul - ecoando sem norte no tempo inlócume de sorte. O alvo intimista das tintas incide negro nas cavas, no coro, na cúpula das vistas amputadas. As memórias, as máximas, os moinhos sublinham rudes desalinhos, devastando o eixo das reticências de cair o queixo... No ponto remoto, se apressa o foco, o furo, a foice inócula, que faz jus a toda loucura que sobrevive à lógica , dentro do ser que insiste em reler às escuras, mas que no fundo da órbita, percebe toda a clareza inóspita.
(Cris de Souza)