terça-feira, 29 de junho de 2010

Partitura

Toco tua voz velada
Pra vibrar o destino
Dos meus versos insones
Frequentando teu nome
Em silêncio

Toco tua voz violada
Pra virar o desvio
Dos meus versos em pane
Formigando teu nome
Em suspenso

Na porosidade da harmonia
Os ruídos das entrelinhas
Provocam as mãos da memória

E toda singularidade absurda
Entoa entre os desnudos néons
Da moradia encoberta

Na pluralidade da heresia
Os rugidos entre as linhas
Povoam os vãos da história

E toda sonoridade aguda
Ecoa entre os mudos tons
Da melodia entreaberta

(Cris de Souza)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A du(r)as penas



a minha cabeça desprende-se
da espessura do corpo.
é tão-somente trono de madeira tosca
com os braços abandonados
à montanha emudecida,
como se já não vivesse na casa sem luz
ou se esquecesse da matéria corrupta.

a minha cabeça desentende-se
da estação do corpo.
é tão-somente outono de pedreira fosca
com os bagaços arvorados
à castanha endurecida,
como se já não vingasse na terra da cruz
ou se encontrasse de maneira abrupta.

na explosão da matéria
o jardim ergue a boca
para estrelas sem céu
em busca do beijo com os lábios da rosa.

na exposição da artéria
o carmim vergue a porta
para flores sem mel
em busca do rumo com os dentes da sobra.

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Desde os primórdios

Só tu me desconsertas
Por que me olhas
Enquanto me caças
No rubor das frestas

As aparências do rumo
Descaminham na selva
E os temores se perdem
Entre os laços

Pro teu bote, dou a fita
Até sugar todo o veneno

Só tu me desconversas
Por que me molhas
Enquanto me laças
No furor das florestas

As transparências do sumo
Desalinham na relva
E os primores se prendem
Entre os lábios

Pro teu toque, dou a tinta
Até sentir todo o sereno

(Cris de Souza)

sábado, 5 de junho de 2010

Abismares

Enquanto o verso transborda espanto
As pontuações são feito os rios
Carregados de emoções

Divagam afluentes entre as fontes
Cintilando paisagens distantes
Entre os ninhos lampejados

Todos os quereres verbalizados
Cursam mistérios em público
Que se aclaram até o extremo das asas

Enquanto o verso borda encanto
As percepções são feito os cios
Canalizados de intenções

Dilatam nascentes entre os montes
Coroando margens diamantes
Entre os caminhos lapidados

Todos os prazeres versejados
Cultuam impérios impúdicos
Que se declaram até o supremo das águas

(Cris de Souza)