terça-feira, 28 de setembro de 2010

Teatro da Vida

(para LARAMARAL)


Primeiro Ato


ensaios
alaranjados

revoam
os passos
esfusos

abertos anseios
em particular
devaneio

plácida
melodia

face
descortinada
da alegria



Derradeiro Ato


ensaios
azulados

ressoam
os passos
escuros

apertos alheios
em peculiar
desenfreio

plástica
melancolia

face
desfigurada
da elegia




Entreato

nas cores
do pacto

palpita
o vernáculo
da vida

nas cores
do palco

periga
o espetáculo
da vida



(Cris de Souza)



sábado, 25 de setembro de 2010

Cadafalso

(Amanda Cass)


adormecia
seus pés          

descalços
de harmonia    

pendurava
a disritmia         

em suas vias
sem mão   
 
anoitecia
seus pés              

encalços
de histeria     

perdurava
o desequilíbrio   

em seus dias
sem chão       

(Cris de Souza)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Entre tanto

(Amanda Cass)



o que eu quero
é um caso sério
que beire ou mergulhe
a loucura ou o mistério

o que eu quero
é um caso sério
que baste ou borbulhe
a lisura ou o etéreo

entre o sim e o não
uma possibilidade irrestrita
entre o amor e a solidão
entre a cura e a ferida

entre o fim e o vão
uma polaridade infinita
entre a cor e o borrão
entre a morte e a vida

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Obra

(Amanda Cass)

sonho-te
entre pétalas
acordadas

na fronte
da fábula
cálida

enigma
nas flores
da carruagem

relevo
que enleio
em castidade

sonho-te
entre pérolas
adornadas

na fonte
da página
tácita

escrita
nas cores
da camuflagem

enlevo
que releio
em claridade

(Cris de Souza)


domingo, 19 de setembro de 2010

Conluio

(Salvador Dali, Inferno)

conjugava
com seus demônios

sentia
o rugir do andar
por debaixo do fogo

o tempo da flagelação
era seu inverno peculiar

comungava
com seus demônios

surtia
o ruir do altar
por debaixo do rogo

o templo da frustração
era seu inferno particular

(Cris de Souza)

domingo, 12 de setembro de 2010

Ode ao Poeta


(para Jorge Pimenta)


a longitude
da linguagem:
luz de viagens

[espelha
gregos e troianos

o labirinto
da linguagem:
sombra de viagens

[esbarra
seres e humanos

as visões
modificam
a ótica

o caminho:
tinta
mitológica

as versões
mistificam
a órbita

o pergaminho:
tinta
antológica

(Cris de Souza)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Síncope

(Salvador Dali)


no travo da madrugada
a cisma arcava
sua casca

o florete do silêncio
forçava o bumbo
dos seus grifos

em ira sufocada
o tinto em si
trilhava

no trago da madrugada
a cinza armava
sua cava

o falsete do silêncio
forjava o chumbo
dos seus giros

em mira sincopada
o tiro em si
trincava

(Cris de Souza)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Epifania

(Salvador Dali, Angústia)


o manuscrito da epifania
morre,
lentamente,
na noite que o escreveu.

a tinta:
seca
nos degraus da árvore;
o dizer:
cego
no glossário do teu olhar.

o meteorito da epifania
mata,
loucamente,
na noite que o esqueceu.

o tempo:
servo
nas dobras da árvore;
o desler:
centro
na galáxia do teu olhar.

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)



Jessica yeh, sad violin