domingo, 31 de outubro de 2010

Penas oculares


(salvador dali)

entre as penas
escondia
suas rugas    
 
costuradas
à disfunção

das tintas
na temporada

sob as asas     
em néons
de fuga 

entre as penas 
escondia
seus lascos

costumados
à depressão

das tintas
na trovoada

sob as asas
em nuvens
de asco          

(Cris de Souza)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Às cegas

(Salvador Dali)

no espelho
percebia
a sombra
deformada da rosa  

entre as ferragens
do lugar escuso
o reflexo era carvão

no espelho
perecia
a sobra
declinada da rosa

entre as folhagens
do luar escuro
o reflexo era clarão

(Cris de Souza)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Odisséia

(Pesare, falling leaf girl)


procuro a casa e os epigramas
que dividem toda a esfera
alimento-me de morangos e neve
que crescem na ficção das coisas
até porque o diamante duro
nem sempre rasga a superfície do ser.

o caminho?
a certeza
que nem todos os dias sabem apagar
talvez por isso as estrelas cadentes
ainda batam à tua porta.

procuro a casa e os criptogramas
que distinguem todo o emblema     
alimento-me de mascavo e pele
que cravam na fração das coisas     
até porque o destino duro
nem sempre rende a artificie do ser.

o carimbo?
a clareira
quem nem todos os dias sabem afagar
talvez por isso as estrelas carentes
ainda beijem a tua porta.

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)


 (Bjorck, pagan poetry)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Válvula de Escape

Convido os amigos a conhecer meu outro blog, é só clicar aqui.

Agradeço o carinho e um grande abraço a todos!

domingo, 10 de outubro de 2010

Cantos de Corpo

(Duy Huynh)

creio
nos cantos
à capela           

que vertem
cálices

violando     
os disfarces        

na taverna
dos olhares         

creio
nos cantos
de lapela        

que viram
álibes

variando     
as catarses

na caverna
dos olhares     

(Cris de Souza)


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Reino da Rima

(Salvador Dali)


no lampejo
da língua

a rima
faz a corte

pro bordejo
da tinta

adorna
a coroa
do verbo

no realejo
da língua

a rima
faz o norte

pro velejo
da tinta

arvora
a canoa
do verbo 

(Cris de Souza)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Agouro

havia
uma dura
ponte

de madeira
quebradiça

e o destino
encarnado 

por um fio
raivoso  

havia
uma pura
fonte

de margem
movediça

e o destino
enramado

por um rio
rochoso

(Cris de Souza)

sábado, 2 de outubro de 2010

Analogia

(Salvador Dali)


na antagonia
das horas
impróprias

tangia o ponteiro
polidamente
na borda

na anatomia
das horas
inóspitas

torcia o pescoço
pontualmente
na corda

em meio ao pó
marcava os olhos
no contratempo

em meio ao nó
moldava os ossos
no contrasenso


(Cris de Souza)