quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Alogia


(Duy Huynh)


canto dentre 
a linguagem pouca   
                e o gesto falante                    

desperta alogia
o verso na boca
     que lambe meu dia  

canto dentre 
a  linguagem rouca
e o gesto forçante 

despeja alogia
o verso na boca
que leva meu dia


(Cris de Souza)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Viagem

(henri matisse, joie de vivre)


no dia em que te der as mãos
e toda a minha certeza
a casa não será apenas a pedra que nos aquece.
dar-te-ei os livros e as recordações
e todos os mapas do meu corpo
onde a geografia
seja apenas bicicleta em viagem pelo mundo

e tu todas as cidades
e todas as estradas
e todos os telhados
que saberei percorrer
nas rodas dos lábios
e no guiador dos prazeres
[sempre sem travões].

no dia em que te der as mãos
todas as embarcações serão o porto.

no dia que te der as mãos
e toda minha clareza
a casa não será apenas a pena que nos aparece.
dar-te-ei os lírios e as revelações
e todos os meios do meu corpo
onde a grafologia
seja apenas borboleta em viagem pelo mundo

e tu todas as paisagens
e todas as floradas
e todos os terrenos
que sentirei percorrer
nas rosas dos lábios
e no gerador dos prazeres
[sempre sem trovões].

no dia em que te der as mãos
todas as expedições serão o gozo.

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)


(Madredeus, ao longe o mar)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Poetagem



I.
a respiração
da palavra viva    
deriva do arfar
do poeta à deriva

II. 
na gema
do poema
o poeta
geme
às claras

III.
o seio
veio
na boca
do poeta
na moita



(Cris de Souza)



domingo, 2 de janeiro de 2011

Noutras palavras

(maria teresa crawford cabral)


 naquela  aliança  
não há lua
ao léu,
nenhuma
     lembrança     
posa de céu?

[noutros dias
tão estrelados

naquela  aliança
não há lua
ao léu,
nenhuma
esperança
pousa no anel?

[noutros dedos
tão esverdeados


 (Cris de Souza)