quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

De trago em trago


(Mehmet Ozgur)


trago
o esquecimento  
na fumaça
dos meus dedos

  tentando apagar  
meus restos
  pendurados  
 no cinzeiro

trago
         o entendimento            
no filtro
        dos meus dedos         

  tentando acordar
          meus restos         
   pernoitados  
  no cinzeiro


   (Cris de Souza)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

No vai e vem das flores


   Na flor da idade como fingir     
Que as borboletas descuidadas
      Ficaram no jardim?        

Se todo tempo,
Se toda terra,
Se toda tara 
É descoberta na pele
Das meias verdades

      Na flor da idade como fingir        
Que as borboletas desalmadas
Fugiram do jardim?

Se todo vento,
Se toda veste,
Se toda vaga 
É desperta na pele
Das meias vontades


(Cris de Souza)