sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Epopéia de pores-do-sol

(Salvador Dali, la esfinge de azúcar)


sei-te num retrato
que inaugura pores-do-sol,
pequeno, gasto
como os olhos de um gato adormecido


na moldura chovem refúgios e castigos:
calafrios  sustêm o andar
num esquecimento musical,
pedaços de vidro engolem a voz
numa sinfonia despovoada.


sei-te num retrato
que  imatura pores-do-sol
perdido, bardo
como os olhos de um gato amanhecido


na mensura trovem respingos e perigos:
arrepios  sorvem  o andar
num  espaçamento musical,
pedaços de vela encobrem a voz
numa sintonia desnorteada.


e enquanto  sorris,
com olhos negros e dentes brancos
e todos os encantos de lume e terra,
roubas-me os passos tortos
com que despia as flores.


algures entre a saudade e o lábio
aprendemos a morrer
na distância um do outro.


e enquanto sentis,
com olhos negros e dentes bastos
e todos os recantos de lira  e esfera,
rouba-mes os passos tolos
com que desvia as flores.


algures entre a saudade e astrolábio
aprendemos a morar
na distância um do outro


(Cris de Souza & Jorge Pimenta)


domingo, 23 de outubro de 2011

Estou em cartaz...

Asterisco: entrevista informal, para ver clique AQUI. ou ACOLÁ.