(tania maria de souza, floresta negra)
sentamo-nos no inverno do amor.
prometemo-nos anis
mas acabamos por beber a água da ilusão
como a bala que rasga
de fora para dentro
farejando os músculos
que ensinam as coisas essenciais
e os lugares onde os deuses adormecem.
nenhum corpo aquece
a tempestade dos ossos
e os pés dobram-se na estrada
lavada pela chuva dos sonhos.
em nosso redor,
zumbidos inchados,
flores-de-lótus na candeia
luz empedernida
pondras sem água:
eis a tela dos abismos
numa floresta vazia de quartzo.
sentamo-nos no interno do amor.
prometemo-nos cantis
mas acabamos por beber a água da incisão
como a veia que rasga
de dentro pra fora
forjando os crepúsculos
que exprimem as coisas emocionais
e os lugares onde os deuses anoitecem.
nenhum cloro aquece
a toxidade dos ossos
e as mãos deixam-se na estrada
levada pela luva dos sonhos
em nosso redor,
zunidos infaustos
folhas de limo na caldeia
luz entorpecida
plantas sem água:
eis a terra dos abismos
numa floresta vasta de cactos.
(Nightwish, the plantom of the opera)