segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sem título

Viro a página do diário, pra contestar a síntese, o signo, o súmário. O alarde se aviva na medida que releio essa vida sentida. Toco o indevido, o impreciso, o improviso que se sustenta nos intervalos das mortes lentas. Pra deparar ensaios, nos quais o âmago se angustia perante ao sentido do silêncio que sibila - digno de gritos homéricos- deturpando cênicos impropérios. Pulsa nas farsas, nas faltas, nas falhas - sem dalhas - onde tropeço num contexto complexo, calçando meu latim sem nome, sem nexo, sem sexo. Por algum conto absurdo das verdades - em desuso - constatando o puro das mentiras gastas . A voz farta, dá partida as partículas de hiatos sonoros, desde já tão simplórios - quanto o vento sul - ecoando sem norte no tempo inlócume de sorte. O alvo intimista das tintas incide negro nas cavas, no coro, na cúpula das vistas amputadas. As memórias, as máximas, os moinhos sublinham rudes desalinhos, devastando o eixo das reticências de cair o queixo... No ponto remoto, se apressa o foco, o furo, a foice inócula, que faz jus a toda loucura que sobrevive à lógica , dentro do ser que insiste em reler às escuras, mas que no fundo da órbita, percebe toda a clareza inóspita.

(Cris de Souza)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Só à deriva

Noite cheia de luar
Eu me cego
À abraçar navios

Sem leme
Sem lenço
Sem lírio

Noite cheia de luar
Eu me pego
À avistar desvios

Sem vela
Sem vento
Sem visto

Só, anoitece o mundo...
Dos males lidados
Os ais partem a vista
Na encosta abismar

Só, acontece no fundo....
Dos mares limados
Os sais pesam a vida
Nas costas do olhar

(Cris de Souza)