domingo, 31 de janeiro de 2010
Acontece
“ Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu ... “
(Roda viva- Chico Buarque de Hollanda)
Acontece, tem dias
Que a gente esquece
De viver
Acontece, tem dias
Que a gente carece
De morrer
Dias desses de prova
Quando tudo que pesemos
Desterramos a sós
Dias desses de cova
Quando tudo que perdemos
Enterramos em nós
(Cris de Souza)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Catarse
(vê se entende)
De que valem as sílabas
Se quando calo
Tu não escutas?
De que valem as vírgulas
Se quando falo
Tu não reputas?
Os pretextos se deturparam
Entre os espaços derrapantes
Todo enfrentamento se desfoca
Não mais suporta o prosaico
Os textos se deformaram
Entre os pedaços dissonantes
Todo entendimento se desloca
Não mais importa o mosaico
(Cris de Souza)
De que valem as sílabas
Se quando calo
Tu não escutas?
De que valem as vírgulas
Se quando falo
Tu não reputas?
Os pretextos se deturparam
Entre os espaços derrapantes
Todo enfrentamento se desfoca
Não mais suporta o prosaico
Os textos se deformaram
Entre os pedaços dissonantes
Todo entendimento se desloca
Não mais importa o mosaico
(Cris de Souza)
domingo, 17 de janeiro de 2010
Do descompasso
Desafina o compasso do passo. No vácuo. No lapso. No impacto. Periga os pilares, a fúria do eco, entre tropeços perplexos. Dispara o alarde nas cavidades submersas, impressas de réstias. Desvia os sentidos nos becos temidos. Sem tinta. Sem sigla. Sem siga. Propaga a chegada das favas, diante atrasos seculares tão agudos frente aos muros dos andares. Escolta gemidos e um certo zumbido dormente, de gente que enfrenta o vazio. O grave pernoita nas curvas da fuga, às custas do rastro que acusa. Sem ave. Sem base. Sem chave. Por ironia - da vida ou da via – só se encontra justamente onde partia.
(Cris de Souza)
(Cris de Souza)
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Noturna mente
Noite de verão e o clima é de invasão. De atenção. De audição. A ausência reveste o cenário na arte dos negros ensaios. Tablado de emblemas, vultuosas cenas sustetam superfícies porosas, dão sombra às sobras. Noite sem elo. Sem castelo. Sem paralelo. Ruídos fazem frente ao roteiro das perdas - que desmontam nas mãos esquerdas. Corre o grito no corredor, num gesto exasperado de dor. O ato aflige até as falanges do timbre. Noite dos tamancos. Dos barrancos. Dos trancos. Caveiras arrastam cadeiras - zombando de mil maneiras – do drama que se encena na alma e a mente que senta no pó. Já pelas tantas, o nó que embarga a garganta -faz sala- se esgarça no seio da vala. Noite sem rua. Sem grua. Sem lua. De galho em galho, vultos quebram os telhados, engasgam negrume dos cacos oportunos e rasgam na pele dos cantos soturnos. Noite de fundo. De bumbo. De chumbo. Desfigurando as cortinas das faces, no pseudo silêncio do mundo.
(Cris de Souza)
(Cris de Souza)
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