sexta-feira, 22 de julho de 2011

Canto de carne e osso

 (Acácio Cainete, lágrima negra/acrílico sobre tela)



num outro 
eu amanhecendo
a insensatez
a passar a noite 
- a noite calha 
na tez 


que ser não cega
com a lucidez 
das lágrimas?


num outro 
eu amanhecendo
a invalidez 
a passar a noite
- a noite talha 
na tez


que ser não seca
com a lividez 
das lágrimas?


(Cris de Souza)

34 comentários:

cirandeira disse...

Quente e suave o teu canto que copioso e sileciosamente escorre entre lágrimas lívidas de lucidez!
Gostei de conhecer o teu espaço: serenamente perturbador!

beijoss

Pólen Radioativo disse...

Ai, minha fada... Quão fortes são tuas palavras...

As lágrimas são lentes por onde se vê a imensidão dos sentimentos. E como não cegar diante de tal visão, diante da fragilidade da carne se derramando pelos olhos, não é mesmo?!

A tela é tão intensa quanto os versos.

Um beijo cheio de emoção.

Lara Amaral disse...

A noite insensata
amanhecendo em minha
tez

Eu me atrevendo a bagunçar suas palavras de novo, rs. Às vezes me dá essa vontade, porque vc cria poemas cheios de possibilidades, com muita personalidade, nessa sua escrita única!

Beijo.

Cristina DeSouza disse...

o poema talhou minha tez.
Muito bom!

Beijos,

Cristina

Marcantonio disse...

Nossa! Do título à interrogação final uma uniforme beleza! Quem não se encanta com a limpidez dessas páginas?

Beijo.

Tania regina Contreiras disse...

que ser não seca
com a lividez
das lágrimas?

E a interrogação abre espaço pra outro poema, não? :-)
Muito bom, Cris, teu estilo é único!
beijo,

Batom e poesias disse...

Cris, Teus poemas são sempre um jogo, cuja armação das palavras desestruturam os sentidos.
Lindo!

bj
Rossana

Sandrio cândido. disse...

A lara já falou das possibilidades, também falo da suavidade tão bela com que escreves.
beijos

Sonhadora disse...

Minha querida

Uma lágrima...um lamento...um canto de nostalgia, adorei e deixo um beijinho com carinho.

Sonhadora

dani carrara disse...

tive a impressão qdo li o teu cometário de te conhecer, alías , obrigada pela visita.

eu não sou mística, nem nada, nem creio em vida além da poesia. bom acho que creio, sim,

em todo caso ficou a impressão de já te conhecer.

um beijo.

Assis Freitas disse...

o ser nunca seca está em eflúvio,


beijo

Celso Mendes disse...

límpido como uma lágrima, lívido no matiz, líquido como a fluência de uma lira-Cris.

beijos virtuais de carne e osso...

Lisarda disse...

Radiante poema!Beleza da leveza.

Machado de Carlos disse...

Nas noites os ventos zurzem na janela. Esfria a pele.
Ah, pranto cego. É saudade!
Amanhece. O Rei brilha. Cobre o mundo com seu manto.
O rio de lágrimas lava a alma.

Luiza Maciel Nogueira disse...

lindíssimo flor e teu haicai das pétalas que caem um estrondo!

Beijos

marlene edir severino disse...

Límpida água com um pouco de sal,
os teus versos!

Encantada!

Beijos

Al Reiffer disse...

Lágrima é a última água sobre a Terra... Ótima a criatividade do teu poema. Bjos

Úrsula Avner disse...

Oi minha linda,

dificimente não me arrepio ao ler seus poemas... Este canto é da carne, do osso, da alma... Lindo demais... Beijão.

dade amorim disse...

Quantos sentidos pode ter um poema? Os sentidos múltiplos são a riqueza maior da poesia.

Beijo, Cris.

Analuz disse...

"que ser não cega com a lucidez
das lágrimas?"

Fascinante expressão!

Beijinho encantado!

Bípede Falante disse...

Que a dor traz mesmo um incomensurável paradoxo...
Muito bonito, Cris. Muito.
Beijosss

luizsimbolista disse...

Tens um lirismo intimista profundo e tocante, parabéns pelos versos e pelo espaço poetisa,

um cordial abraço.

Sandra disse...

Perfeito! De corpo e alma

Américo do Sul disse...

No belo trem da lira
No apito a poesia grita
Delírios e abrigos
Nos afaga e arrasta
Nos trilhos, por onde vai...

Jorge Pimenta disse...

até onde chegarão os barcos em sobressalto se estancarmos o curso das lágrimas?
haja portos de carne e osso!
salvé, cris enfeitiçada!
beijinho!

Vais disse...

Adorei a pintura, cores fortes, um rosto uma máscara
e o que comentar do seu canto de carne e osso
somos ossos somos carne somos membros
e lágrimas
lucidez
insensatez
somos amanhecimentos e noites

beijos, querida Cris

Tatuagem disse...

Mas quando amanhece as lágrimas desaparecem...

Beijos!!

Batom e poesias disse...

Já ando esturricada...rss

Lindo poema, minha flôr.
Como tudo o que escreve, aliás.

Bjs
Rossana

byTONHO disse...



A.dor.ei!

:o)

Renata de Aragão Lopes disse...

Musical...

Beijo,
Doce de Lira

André Bessa disse...

Sonoridades que me agradam, construções poéticas muito elaboradas, digna da grande poetisa que tu és.

Minha admiração de sempre, Cris, beijos.

André

Cida disse...

Eita, menina, isso sim que é um "poetar" bonito!

Achei encantador! :)

Te desejo um lindo e abençoado final de semana.

PAZ & BEM!

Beijosssss,

Cid@

Adriana Karnal disse...

Cris,
lívida e cheia de vida, mesmo nas lágrimas...

MARILENE disse...

Que caiam as lágrimas! Se a insensatez as gerou, a lucidez as levará.
Bjs.