quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Parto



fujo pra dentro de mim
pra ver se me encontro
nalgum teto seguro

fujo pra dentro do útero
pra ver se aborto
algum feto obscuro

fraturo haste na saída
pela sorte suposta
que cava na frente

expurgo a parte doída
pelo corte nas costas
que vaza do ventre

(Cris de Souza)

7 comentários:

Tatá R. da S. disse...

Forte, íntimo, belo...
Interiorizei...

Flor ♥ disse...

Mais um poema em grande estilo, amiga Cris! Sou suspeita prá falar, pois gosto muito das tuas poesias!

Bjs.

Marisa Vieira disse...

Uau! Cris que riqueza, senti minha alma renascer!

beijoPoesia*

Awmergin, o Bardo disse...

Tudo o que nasce do útero da Alma é Vida e é Poesia.

Daniel Tree disse...

Estoy aquí para apoyarte.

Cesar Maia disse...

Esta jóia literária lembra-me um "conselho" metafórico que meu pai,certa vez,me deu:Quando,por qualquer razão,não se sentir seguro,fuja para o útero protetor,seja novamente a criança impávida,serena e poderosa que já foi um dia e seja bem vindo,novamente,à vida.
Seu poema-pessoal,como tudo o que é de ti e belíssimo-me levou a lembrar...

J@ne disse...

poxa, vc me surpreendeu.. um novo lado nesse seu talento impar. Parabens!