quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cederes

Cedo ao espanto que me torna por encanto. Onde brindo lua. Nua. Crua. Ao teor da inspiração que trama a exaltação. Embebe o céu dos ébrios. Propício ao sumo, aos surtos, aos vícios. Que pernoita o grau estrelar nas taças de vinhos silêncios. Cedo ao perfume suspenso que inebria aos cachos. Por frestas, transpira signos na pele em flor. Costura papoulas e lírios nos sítios – linha mística dos tragos intimistas - que afagados, sedam a carne dos afogados, embalam a viva alma num sentimento sem jaula. Que toma conta por dentro. Da terra. Do vento. Do tempo. Cedo até desvairar todo ar que dobra no peito e sobra no fundo do olhar. Até povoar o deserto, beber o universo e no ventre estrelas entornar. Território constelar dos sedentos. Dos intentos. Dos inventos. Cedo nos alagadiços terrenos, que penetram os movediços venenos.

(Cris de Souza)

17 comentários:

Lili disse...

Eu me cedo aos teus encantos...
Lindo demais!!!
Bjs

Nádia disse...

" embalam a viva alma num sentimento sem jaula "

Sentimentos sem jaula... desses que chegam sem pedir licença e tomam conta de tudo, derrubam portas e janelas... quem consegue viver sem eles ?


Cris... esse teu Trem, me leva às estrelas.

** beijim !

Mateus Araujo disse...

"Dos inventos "
*_* bunitooooo


Ah, profundidadee total!
Cai nesse mar deserto e caminhei junto.
Gosteii doida ♥

BJão

DJ Anael disse...

Corro atrás de nuvens.

Cuca disse...

Impecável !

Cedo completamente ao teus domínios.

schetini disse...

Tu, Cris, Mulher, Morena queimada dos sóis, sempre surpreendente. Cedo aos seus encantos serenos.

Paulo Vitor Cruz disse...

ceder é também fazer parte... posso ceder tbm?... risas...

besos corridos, chica, o dia tá dureza hoje... lindo o texto... emocionante e emocionado...

bai bai.

Machado de Carlos disse...

Estive no céu.
Vi a lua em carne crua.
Não houve espanto, mas um encanto.
Ébrio no doce cobertor do hotel,
a noite de vício se tornou dia,
aprendi a ver a aurora,
embriagado de
papoulas e de
vinhos antigos.
De almas vivas:
eu e ela inebriamos
os lírios sentindo
na pele a flor de lírio,
sedativa.
Inda me lembro do vento
e do tempo multicor.
Não nos lembrávamos
mais do nosso endereço
e da realidade.

Machado de Carlos disse...

Esqueci-me:

O perfume era “marige”
O cheiro natural
do corpo
se misturou
ao perfume
afrodisíaco!
Foram oito horas
de amor
puro!

seu gordo disse...

treato e muito bonito parabens ,beijo do gordo e otimo final de semana

Priscila Rôde disse...

Olá!
Vi uma comunidade sua no orkut e não hesitei em visitá - la e comprovar que realmente és uma poetisa rs
Parabéns pelos textos, pela sensibilidade. Parabéns pelo dom!

Um beijo.

Tatá R. da S. disse...

E quem não cede ao seu lirismo?
=*
Não te abandono nunca.

Everaldo Ygor disse...

E o Trem nesse ritmo eterno da prosa poética, para os dias, para os interiores da Terra - do Ser...
Abraços

Monique disse...

muito sensual tudo...

Lisarda disse...

Hay sólida fluidez en tu poesía: seguiré leyendo.
Parabéns,
Ignacio

Saulo Nunes disse...

=)

seu gordo disse...

o vinho sempre presente a sentimentos e dias especiais consolo da alegria e da tristeza beijo do gordo to sempre aqui