segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Captura

(obra do descaso)

Desafinam clarins
Os intervalos dedilham
Notas sem rupturas

Desafiam confins
Os abalos andarilham
Rotas sem estruturas

Sinergia propaga
A frequência destoa
No preâmbulo espaço

Sinfonia divaga
A ausência ecoa
No sonâmbulo compasso

(Cris de Souza)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Jás

Basta de vista grossa
Enquanto nosso caso adoece

Basta de peso nas costas
Enquanto nosso caso aborrece

Nem pense que domina
Não cabe mais ruína
Logo o corpo se perdeu

Nem pense que determina
Não cabe mais morfina
Logo a alma já morreu

(Cris de Souza)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Na ilha



Estranho barulho
São vozes ancoradas
Secando seus sais

Por trás do que calo
Há uma multidão de ais

Tamanho marulho
São fozes abarcadas
Molhando abissais

Por trás do que falo
Há uma solidão de cais

(Cris de Souza)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Confronto


Estou prestes a debandar
Mas pra seguir em frente
Deixo um pedaço pra trás

Estou prestes a despencar
Mas pra sentir descrente
Deixo um espaço a mais

Sei lá como devo agir
Eu nunca soube me definir

Sei lá como devo partir
Eu nunca soube me despedir

(Cris de Souza)