sexta-feira, 26 de março de 2010

Ísis de Íris

(dedicada a mesma)


São teus olhos garras líricas
Emboscam todos
Os delírios das iras

São teus olhos garras oníricas
Enfocam todos
Os domínios das liras

Olhar que transparece
No subterfúgio das brasas
Pelas entrelinhas das células

Olhar que translouquece
No refúgio das asas
Pelas linhas das libélulas

(Cris de Souza)

domingo, 21 de março de 2010

Zoom

(Ilustração: Rubens Medeiros)


O foco,
a foto,
a fonte

Tudo retrata
o toque
naquela estante
entre poses
sem seixos

O puro,
a puta,
a ponte

Tudo resgata
o choque
naquele instante
entre doses
sem eixos

(Cris de Souza)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Da mulher

Mulher de finas artimanhas... Vários transes, lances, nuances enredam tuas tramas. Onde o ventre se assanha, lá estás a costurar tuas odes e artimanhas. Teu sexto sentido de flor, foi bordado no umbigo. Tamanho é o seio que traz tua vida ao meio. Mulher de tato, de teias, de deixas... Mistérios enredam teus novelos, coroam de luas os teus cabelos - de estrelas são teus olhos a delirar. Mulher de fusos, de fases, de faces... Oscilas teu humor, bordado à riso e dor, balanças teus neons por cores tortas. Constelações são tuas rotas, ainda que no céu, as vistas sejam mortas. Mulher de intuição, de intenção, de imersão... Dás corda ao coração, do teu íntimo a emoção se acende. E num piscar, acorda pra razão, pois tua é a natureza da arte - de toda parte que surpreende. A força de Fênix lhe faz legítima alusão: só teu pó, só teu pêlo, só teu pulso entende, que das cinzas se renasce sempre.

(Cris de Souza)