segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Às cegas

(Salvador Dali)

no espelho
percebia
a sombra
deformada da rosa  

entre as ferragens
do lugar escuso
o reflexo era carvão

no espelho
perecia
a sobra
declinada da rosa

entre as folhagens
do luar escuro
o reflexo era clarão

(Cris de Souza)

25 comentários:

Assis Freitas disse...

às cegas mas cheia de perícia nos versos,


beijo

AC disse...

Rosa
Carvão
Mergulho de escuridão
Rosa
Clarão
A luz como dimensão.

beijo :)

Zélia Guardiano disse...

"no espelho
perecia
sobra
declindada da rosa"
Coisa mais linda, Cris!
Fez encher de lágrimas os meus olhos.
Sempre algo ou alguém perece ante a frieza cruel de um espelho...
Lindíssimos versos, amiga!
Beijos

Jorge Pimenta disse...

entre o espelho e o reflexo, sobram, por vezes, as sombras pinceladas a carvão por mãos que escondem os olhos e alvitram a cegueira... repetidamente. e nós... tacteando pela chave dos enigmas maiores.
um beijinho, rosa de cris.tal!

Pablo Rocha disse...

Gostei demais. As metáforas foram perfeitas e a leitura é deliciosa. Parabéns, Cris.

Beijos!

ROSANA VENTURA disse...

LIndo demais!

Eder Asa disse...

As cegas e acertou na mosca, hãn?

Lara Amaral disse...

Ah, tão perfeitamente poético! Sua poesia é colírio. =)

Beijo.

Pâmela Grassi disse...

Guria,

Cá percebi que as rosas traduzem teus escritos,

Beijos

Cuca disse...

Emocionou-me, isso é grande feito entre as pétalas...

Amo-te, dona da lira!

Beijosssssssssss.

Domingos Barroso disse...

Todo fim é trágico
às vezes a saudade
é verdadeira.

Belíssimos versos.

Carinhoso abraço,
poetisa.

Wania disse...

Cris

Lindo o teu jogo de palavras brincando entre luzes e sombras!

Bjs, amiga

Colecionadora de Silêncios disse...

Eu adoro viajar por esse Trem! :)
Vc é fenomenal!
Beijos, linda!
:)

AMEI!

Daniela Delias disse...

Poema que pede pra ser lido com olhos fechados...tão bonito! Bjo, Cris!!!

Marcantonio disse...

Depois de ler um poema, eu fico me perguntando (num exercício certamente inútil) de onde ele surgiu, o que veio primeiro, qual imagem, qual palavra. E no caso dos seus poemas essas curiosidade é ainda maior, porque eles têm um equilíbrio delicado, um sutil ajuste das partes que só pode se dar a partir de um insigth inicial quase perfeito, não é não? Se é que eu estou conseguindo expressar meu pensamento...

Beijo.

A.S. disse...

Perfeito o jogo de palavras, muito linda a construção poética!!!


Beijos, Cris!
AL

Vieira Calado disse...

Ficou muito elegante,

o poema!

Saudações poéticas

Valéria Sorohan disse...

À contra-luz do verbo que se contradiz.

BeijooO*

Pólen Radioativo disse...

Uau!!!
E a sombra, Cris, deflora o que no corpo não se esgota e o reflexo nos pinta de outra forma...

O quadro é par perfeito pra tua poesia, linda!

Muitos beijos...

Albuq disse...

Nossa visão está além do nosso olhar! Lindos versos!

Fé Fraga disse...

Lindo! Tudo que aflora, desfolha, cinza carvão, vira flor.
Amo seu espaço.
Um beijo,
Fé Fraga.
http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com

valeria soares disse...

Muito belo! É muito bom passar por aqui. Abraços.

JB disse...

Basta-me uma pétala para perceber os reflexos no espelho e descobrir "às cegas" o resto do teu corpo. Aí encontrarei a luz na escuridão desse botão!

Lindíssimo Cris!

Beijinho

Juan Moravagine Carneiro disse...

Me encanta como vc consegue dançar com as palavras...

abraço e agradecido pelas visitas ao Rembrandt

afonso rocha disse...

És uma jogadora nata com as palavras!!!!
Que maravilha, Cris!

Beijo e BFSemana