quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vias do Ventre

(rene magritte)


ando comovida
movida a parto

sem nota
nem cordão

sinto o atrito
indelicado
em contração

ando corrompida
movida a pranto

sem rota
nem condão

sinto o grito
intercalado    
em contramão

(Cris de Souza)


36 comentários:

Leonardo B. disse...

[intima, ínfima a fracção do tempo diante desse terreno momento, parte de mãe universal]

Um imenso abraço, Cris

Leonardo B.

tonhOliveira disse...



Uma "felina" cria.tu.ra!
Ideia nada má...grite ao mundo
a tua cri.ação!

:)

valeria soares disse...

E como não se comover??? Belo poema.

Domingos Barroso disse...

Chega-se a ouvir o tremor dos cílios.
Cada verso uma fogueira e as chispas cingem as nuvens de rubro.

Intenso.

Carinhoso beijo,
poetisa.

AC disse...

No princípio era o parto.
depois, em contramão, surgiu o grito da contração.
Foi-se o condão, ficou o pranto. Até ao próximo parto.

beijo :)

Zélia Guardiano disse...

Beleza de poema, Cris!
Versos fortes...
Parabéns, amiga!
Grande abraço e beijinhos

A.S. disse...

Cris...

Adoro a forma como trabalhas poeticamente as palavras!


Beijos!
AL

Úrsula Avner disse...

Oi Cris, ser movida a parto , estar em contração sinaliza o nosso modo tão feminino de viver, de buscar nossa essência... Seu poema é um mergulho belo e profundo na interioridade feminina... Amei ! Bjs,

Úrsula

Paulo Vitor Cruz disse...

chica, q saudades de passar por aqui..

bem, qto ao texto já viu, né.. me fez pensar em sexo de novo.. risas.. (partos sempre me fazem pensar em como aquilo tudo começou...)

já qto as saudades de ti, eu nem te conto, viu... estão umas bitelonas já... nem sei se dou conta de suportar...

*feliz meio de semana p vc..

besos.

Júlio Castellain disse...

...
Maravilha de letrinhas.
Abraço.
...

Daniela Delias disse...

Tão lindo...tão lindo!!!

Fátima disse...

Nao fique assim desorientada.
Nem ande a contramão.
Siga o fluxo do coração
E tudo dará certo.
Você é tão bonita e inteligente.
Vista-se de contente e saia por aí.

Um beijo
Com carinho
Fátima

Marcantonio disse...

Vias da poesia! Dá-se à luz um poema perfeito, contrito, mas repleto de nuances.

Beijo.

Lara Amaral disse...

Amiga, foi no âmago, como sempre!

Beijo!

Assis Freitas disse...

de viés, em franca combustão


beijo

José Carlos Brandão disse...

uma lira comovida
move o mundo
move a vida.

Beijos, Cris.

Jorge Pimenta disse...

este é dos textos mais intimistas (e toda a tua poesia é intimista!!!) que aqui encontro, querida amiga. são gritos e gritas, sons e tons, troos e voos que nos agitam da mão para a contramão (em permanente contrapé). como ficar inteiro depois de ti?
um abraço!

Valéria Sorohan disse...

O que fazer com as emoções que revelam o poente que carregamos dentro da gente?

BeijooO'

poetaeusou . . . disse...

*
e de chico buarque,
em contramão,
sai a canção !
,
brisas serenas,
*

Paulo Rogério disse...

"ando corrompida
movida a pranto"
Cris, a mulher forte dos versos
vence também as incertezas do mundo!
Beijo!

Machado de Carlos disse...

A mulher; uma madeira de lei criada pelo Universo! Nela existe um perfume indescritível que marca o fim de uma imensa tarde. Antes fora uma pequena semente, oriunda de uma flor. Agora, como árvore enriquecida pela seiva divina, serve de sombra, cujos galhos sombreia este sonhador a cantá-la em versos...

Rossana Masiero - São José dos Campos - SP - Brasil disse...

movida a parto, é tão doloroso..
Entendo o pranto.

Lindo, amiga Cris. Lindo!
bj

Rossana

Albuq disse...

Que poema vivo, intenso... amei.

Cuca disse...

Esse poema é uma das coisas mais lindas que li nos últimos tempos.

Você é maravilhosa!

Beijos, minha amada.

Valquíria Oliveira Calado disse...

Olá, vim desejar-te um lindo domingo,com uma abençoada semana, deixo também um abraço.

Meus espaços te esperam com aconchego de amiga.

http://valvesta.blogspot.com/
http://hanukkalado.blogspot.com/
serás bem vinda.

Pólen Radioativo disse...

Minha linda, flor da Lira...

Saudades de ti!!!

Voltei e já nestas Vias me encontro do Ventre aos olhos derretida por tua poesia.

Beijos de polen...

ROSANA VENTURA disse...

LINDISSIMO POEMA!!!!
bjosssss

afonso rocha disse...

Em contramão
o vento tudo levou...
ficou a lira
intima
íntegra
Beijo, Cris

Eduarda disse...

Cris,

Poema intimista, mas ao mesmo tempo de grito de liberdade.

Adorei!!!!

bj

Marisa Vieira disse...

Genial Cris!
Tava com saudades de ler-te!
beijo da Marisa
ooop's Mariluz*rs

Pistoleiro Corvo disse...

"sinto o grito
intercalado
em contramão"

Fabuloso Cris, você sempre me impressionando.
Estou de volta, e espero sua presença.

Abraços.

Machado de Carlos disse...

Um dia o ventre parte.

ErikaH Azzevedo disse...

Esse metaforizar de parto sempre me atraiu, sobretudo no sentir pulsar de vida em cada (re)nascimento...e são tantas as vezes que renascemos nessa vida, bobo équem pensa que só morremos uma unica vez.

Adorei teu poema, teu mundo, e desde já te sigo por querer voltar mais vezes.

Bjo

Erikah

Andrea de Godoy Neto disse...

ando corrompida
movida a pranto

sem rota
nem condão

nem posso comentar, Cris.
deixo só o meu suspiro...

beijos de saudades

Valéria Sorohan disse...

Muito boa essa feitura que vc fez. Dosou as palavras com referência ao surrealismo.
Um beijooO' realista...

Alberto Moreira Ferreira disse...

maravilha de poema

em contramão

devo dizer que tem sido um prazer descobrir a tua poesia, obrigado pela partilha

bj