segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Oratória

(marc chagall)


há uma 
discordância
na oração,
um predicado
indevido

na verve
do sujeito
perdido
que desafia
o coração

há uma 
dissonância
na oração,
um predicado
invertido

na veia
do sujeito
partido
que desafina
o coração


(Cris de Souza)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Emblema

 (luís vieira batista, erupção primordial)

transpiro
a ferro e fogo

no degelo
da superfície
cálida      

marco o ponto
que expele
o magma

transpiro
a berro e rogo

no desterro
da superfície
cáustica 

arco o ponto
que excede
a máxima


(Cris de Souza)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sei do sabor



sei do sabor contíguo
em estar distante

onde o próximo sentido
não carece de provas
  pra perder o prumo   

sei do sabor contínuo
em estar dissonante

       onde o próprio sentido      
não carece de covas
     pra perder o rumo     


(Cris de Souza)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Miríade

(maria valentina)

são mais de mil
as lâminas que espreitam
na varanda dos olhos.

debruço-me
sobre o horizonte breve do livro

[o poema nunca escolhe a mão:
Deus, homem, poeta ou demónio?]

a única queda que aceito?
a água no seu leito.

são mais de mil
as flâmulas que espelham
na voragem dos olhos.

debulho-me
sobre o horizonte bardo do livro

[o poema nunca encolhe a mão:
ateu, bicho, poeta ou anjo?]

a única veda que aceito?
a alma no seu peito.


(Cris de Souza & Jorge Pimenta)


(lhasa de sela, rising)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Não há verso

(salvador dali)



não há verso
que contente

(tempo
anônimo)

no engasgo
saliente:

o aperto
custa
heterônimo

não há verso
que comente

(tempo
antônimo)

no estrago
silente:

o acerto
busca
homônimo


(Cris de Souza)