segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Oratória

(marc chagall)


há uma 
discordância
na oração,
um predicado
indevido

na verve
do sujeito
perdido
que desafia
o coração

há uma 
dissonância
na oração,
um predicado
invertido

na veia
do sujeito
partido
que desafina
o coração


(Cris de Souza)

24 comentários:

Domingos Barroso disse...

Insinuante, harmonioso.

Belo poema,
poetisa.

Fred Caju disse...

Cris,

Feliz Natal atrasado e feliz 2011 antecipado!

Gostaria de ter mais tempo para me perder/encontrar nas postagens daqui, mas por hora passo 'apenas' para lhe desejar felicidades. Depois volto como leitor faminto.

Abraços,
Caju.

Usui de Itamaracá disse...

Oração retorcida!
Provocante, muito foda esse poema!

André disse...

Mas... e se o coração tiver ouvidos para acordes dissonantes?...

Excelente, poetisa! abraços,

André

Lívia Inácio disse...

Gostei dessa melodia!

Zélia Guardiano disse...

Muito lindo, Cris!
Palavras rigorosamente escolhidas e colocadas no lugar mais exato...
Encantei-me com esses seus versos!
Aliás, como sempre...
Enorme abraço, querida!

JB disse...

Há uma afinação perfeita nas palavras que tão bem escolhe!
Há uma concordância perfeita na forma como leio e releio seus poemas!

Há um sentir muito peculiar e aprimorado na tela harmoniosamente pincelada!

Beleza singular!

Beijinho

Ricardo Valente disse...

gostei tanto da terceira estrofe e nem sei porque. (vou até ler novamente)
abraço

Assis Freitas disse...

entre um e outro, entre tantos



beijo

Pablo Rocha disse...

Há maestria em teus versos. Isso é inegável!

Beijos!

Andrea de Godoy Neto disse...

Cris, a tua oratória é genial!


te deixo um beijo
e o desejo de um 2011 e de um amanhã e de um agora mesmo, cheio de encantos

Alberto Moreira Ferreira disse...

Cris,

"Oratória" palmatória

maravilhoso

bj

Tania regina Contreiras disse...

Versos perfeitos, delicados...bela poesia a sua, Cris!

Tenha um 2011 iluminado e delicado como seus versos...
Beijos,

Pólen Radioativo disse...

Cris... Minha fada,

Como diria Chico: "É que há distância entre intenção e gesto"

Oremos, pois, para que a poesia sempre nos salve.

Adorei!!!

Beijo, beijo, beijo...

Luiza Maciel Nogueira disse...

desafinados :) lembrei de Tom Jobim naquela música dos desafinados :)

beijos!

Por que você faz poema? disse...

Adeus, ano novo!

Runa disse...

Bem construído e intencional o teu jogo de palavras. É sempre um prazer digerir as tuas palavras...

Bjs

Runa

Daniela Delias disse...

Desafinado ficou o meu coração...e isso é tão bom!!!!!!!!!!!! Bjos, amiga querida!!! E um lindo 2011!

Colecionadora de Silêncios disse...

Amo ler-te! :)
Teus versos são orações, para o meu deleite! ;)

Beijos, minha Flor formosa! :)

Machado de Carlos disse...

Oração


Senhor, Vós que sois toda Luz Suprema,
Dizei-me, onde encontrar minha querida,
A mais bela flor da minha vida;
Que perfumou, um dia, minh’alma pequena?

Ela afagou-me nas noites serenas;
Curou os males... minha intensa ferida!
Mas foi-se sem adeus... sem despedida...
Hoje sofro na noite que envenena.

Vós que Sois de Infinita Bondade,
Apagai este véu, esta saudade!...
Preciso encontrar o meu coração!

Sei, a morte chegará... Uma realidade!
Creio, Senhor, na santa imortalidade;
...E de alma livre chegarei à razão!

Jorge Pimenta disse...

sintacticamente perfeito; sensorialmente devastador!

despeço-me de ti, neste final de 2010, desejando-te um novo ano à medida de todo o teu merecimento, querida amiga-parceira. e que a poesia nunca se nos desprenda dos dedos... é que toda a tinta perderia sentido.
um abraço segredando-te o quão bom foi viajar ao longo deste ano ao teu lado!

Cida disse...

Linda demais essa oratória!!

Amiga, estou de passagem para te desejar um maravilhoso ano novo.
PAZ, SAÚDE, ALEGRIA e AMOR!

Espero poder continuar contando com sua amizade nesse 2011 que se aproxima :)

Abraço apertadinho

Cid@

rai2007 disse...

Um coração desafinado, se perde na oração. Mas tece um poema azulado com pingos de chuva e luares molhados.

Lobo Poeta disse...

Predicados são assim mesmo, vivem fazendo declarações sobre o sujeito.

Quando o sujeito é educado, faz uma oração cheia de virtudes e atributos.
Mas, quando não não é, manda logo o predicado tomar nas "Pregas" e ponto final.