sábado, 13 de agosto de 2011

O adeus é ateu?

 (um poema bestificado)



Parto pela porta
- Porta que embaçastes
Como se fosses
Tu que me abominasses
Com o toque das mãos?


Sem situar a omissão,
Suspeito da lente
Encardida:


Vejo vozes sacudidas
Vaiando por trás do andar
Da despedida


Parto pela porta
- Porta que excomungastes
Como se fosses
Tu que me abandonasses
Com o terço nas mãos?


Sem saber a oração,
Suspeito da frente
Espremida:


Vejo vozes suicidas
Vivendo por trás do altar 
Da  despedida



(Cris de Souza)


(Elis Regina, atrás da porta)

30 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida

Como sempre um poema que é uma oração à poesia...é num adeus que as mãos ficam vazias...os braços sem nós numa
porta para o vácuo.

Deixo um beijinho com carinho
Rosa

Dario B. disse...

É ótimo ouvir o trem passar e embarcar de novo nesta viagem, um beijo saudoso.

Domingos Barroso disse...

esse poema deve ser ornado
com folhas de louro
e de ouro.


Esplêndido.


Beijo carinhoso,
Crisântemo.

Luiza Maciel Nogueira disse...

nunca é fácil dizer adeus no tempo certo e deixar ir quem precisa, eita.

beijos Cris

Assis Freitas disse...

a deus o adeus teu, a teu adeus ateu



beijo

Valquíria disse...

Ai, nem sei que dizer, mas se doí, passa, se arde refrigera, e se Deus é Deus, dá vitória. Beijos no teu coração.

Bípede Falante disse...

Selvagemente romântico. Dramático como o bater das portas. Simples como o bater das portas! Adorei :)
beijoss

Daniela Delias disse...

Doloroso e lindo. Há essa beleza também no adeus...
Bjos, Cris querida!

Cáh Morandi disse...

Mãezonaaaaaaaaaaaaa... sou apaixonada pelas tuas palavras...

Úrsula Avner disse...

Oi minha linda, belo e profundo poema como de costume... Sua escrita me encanta sempre. Beijo.

Cida disse...

Poema tão forte!
Tão tenso!
Tão lindo!

E ainda de quebra, matei saudades da nossa eterna Elis...

Obrigada por isso, menina poeta.

Beijo :)

Cid@

Marcantonio disse...

Geralmente o adeus tem fé no retorno, na vida depois da ida; ele é muitas vezes um falso cético, acena para o até nunca mais, sonhando com o sempre aqui.

Beijo.

Cristina DeSouza disse...

Forte poema, Cris!
Belo, muito belo.

Beijos

Cristina

dade amorim disse...

Uma lindeza, Cris. E com esse fundo musical, faz-se presente a voz suicida. Duas lindezas.

Beijo beijo.

Machado de Carlos disse...

O Adeus insiste em divagar pelo espaço. Perturba nosso estado mental!

André Bessa disse...

Onde o inquisitivo não é Inquisição. Sensíveis versos, Cris, meus parabéns!

Um bom domingo, saudações literárias.

Fred Caju disse...

Ia dizer parecido com o que Assis disse, mas como ele fez melhor do que faria, vou me limitar a uma palavra: BRAVO!

dani carrara disse...

- despedida despi de idas
um coração que nunca é a teu
sempre é a teu.
a teus corações, um beijo

(aqui qdo leio: toda certeza interroga!)

obrigada o cometário.

bjo

Adriana Karnal disse...

Cris,
tua poesia toca...

Malu disse...

Sim, podemos dizer que a analogia é perfeita.
O poema intenso e o vídeo da ELIS soberbo.
Quanta sensibilidade numa única postagem.
Lindo demais.
Abraços

Batom e poesias disse...

Cris, o "adeus" é quase sempre um crente (que tem volta).

Belíssimo poema, querida.

Não consigo comentar lá no "Válvula"´, mas queria deixar registrado que também adorei o "poema de poro aberto".

O que é que você escreve, que eu não adoro?

bjcas
Rou rou

Cristiano Marcell disse...

Belo poema! Muito bom gosto ter posto a interpretação de Elis a esse clássico de Chico.
Muita Paz!!!!

Jorge Pimenta disse...

todas as portas foram feitas para serem abertas. mesmo que do outro lado da despedida.
a propósito de "adeus", escrevi há muito tempo um "adeus":

Talvez não saiba
escrever a palavra "adeus"...
ao traço frágil
sobrepõem-se
matizes coloridos
que compelem
o aparo e a memória
para a doçura dos frutos
que mordemos

Talvez não saiba
escrever a palavra "adeus"...
temo
o sol sem luz
e o luar sem pausa
que se escondem por detrás dos caracteres

Talvez não saiba
escrever a palavra "adeus"...
ainda que seja cedo para o mundo
e talvez tarde para nós..."

beijinho, amiga de lira preciosa!

Tatuagem disse...

Magnifico poema!

Beijos!

Dolce Vita disse...

Magnífica construção poética.

dade amorim disse...

Um clima perfeito, poema e música.
Beijo com carinho.

Machado de Carlos disse...

Mas ela se foi num adeus sem volta. Mas sem volta? Quer dizer que o amor terminou? Então nunca houve o amor. Ela era de Pedra. Assim como ela rolou a pedra também rola. É questão de tempo. O tempo é dono do punhal fatal.

Wania Victoria disse...

Cris

Quantas vozes atrás da porta...
Não é fácil traduzir o silêncio de um adeus!



A-m-e-i a tua poesia!
Bj grande, amiga!

Andressa C. disse...

que lindo, gente.

Elisa T. Campos disse...

Eis a questão sine qua non no aqui agora? Se é ateu só saberemos no
adeus.

bj