segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Recital

(Tuca Zamagna)

(Para Tuca Zamagna)



Canto Escarlate


Desço as cortinas
Ao disfarçar silêncios?

[A retina entreabre-se
Para o cavado grito

Deito as cortinas
Ao demonstrar silêncios?

[A retina entrearma-se
Para o calado grito



Mata-borrão


Nas memórias
Que se desenham no fumo
Um fundo borrão
Vive a tragar o coração.



Aberta à citação


Gravo-me  
em gestos
quando tenho
saudades das mímicas...”



Haicai desencontrado


O rio do verso
Na rima do mar:
Pororoca no olhar!



(Cris de Souza)




21 comentários:

Márcia Luz disse...

Cris, está lindíssimo! Espantou o frio desse vento que não para de doer por estas bandas aqui.

Tania regina Contreiras disse...

Vivaaa, que o Tuquinha merece todas as homenagens...
Beijos,

Nilson disse...

Viajei principalmente no haicai desencontrado. Ritmo bom nesse trem da lira!

Marcantonio disse...

Recital qual o Tuca.

O programa é todo ele excelente. Mas,vou lhe contar, esses MATA-BORRÃO e HAICAI DESENCONTRADO são de um engenho admirável! Quem poderia supor essa pororoca e esse borrão-exaustor a absorver o coração esfumado por memórias sentimentais?!

Em se tratando de quem é,também se aguarda com curiosidade o comentário do homenageado, maestro de grande engenho.

Beijo.

Analuz disse...

"Pororoca no olhar!"

maresia bateu por aqui...

Beijinho com encanto, moça poeta!

Assis Freitas disse...

concordo com o Marcantonio e acrescento a Citação,



beijo

Adriana Karnal disse...

Cris,
parece que nem sentes a caneta, tão leve a escritura...ou, nem sentes o teclado, tão claros os dígitos. q grandes poeminhas

Vais disse...

Olá, Moça Cris-tal,
belo elo Recital

Parabéns a você e ao Tuca pela sensacional arte de você em preto e branco pela metade exposta e a outra metade guardada pela cortina colorida de vermelho, metades que se unem e se partem e se unem

me veio este verso
"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio..."

Aberta à citação e o haicai, demais!

beijos, linda

Wilson Torres Nanini disse...

Cris,

desde as máscaras necessárias para com os silêncios inevitáveis ao ribombar do rio afugentado do mar, quanto sentir que nenhum mata-borrão aplaca!

Abraços!

Bípede Falante disse...

Recital tão perfeito que nem dá vontade de falar para não interromper esse fluxo de sentimentos :)
Lindo, Cris.
Beijosss

Tatuagem disse...

Mágico silêncio!

Beijos

Romeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Romeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge Pimenta disse...

a mímica completa a palavra, neste fundo que conjuga todos os desconcertos.
beijo para ti, cris, abraço ao tuca!
p.s. ainda procuro os fusos de quatro dias/noites em todas as cidades que nos brotam do peito. encontros e reencontros renovam!

Tuca Zamagna disse...

Eu não pretendia comentar aqui, cristralíssima amiga, porque meu sangue, fervendo rubis na minha face exposta, explodiu em hemorragia na minha face oculta, assim que bati os olhos na postagem. E minha cortina, querida poeta, anda mais transparente que minha embaçada lucidez.

Mas esse comentário do Marcantonio (que idéia infeliz lê-lo!) polvilhou de cravos, espinhas, brotoejas e sarna demodécica a minha alma -- sim, tenho uma dessas, embora talvez por breve tempo, que andei atrasando as prestações ao almeiro que a arrendou-me. Esse maquiavélico poeta temporariamente-azul-para-sempre tem o dom maníaco de cutucar com vara longa e fescenina a onça que eu cevo, no porão do meu conjugado, desde o dia em que ela, no sótão do meu blog, me pariu.

Que suntuosa carga de versos, moçoila! Perfeitos, eu diria, não fosse o não muito inspirado hacai de abertura:

"Tuca Zamagna
(Tuca Zamagna)
(Para Tuca Zamagna)"

O esconde-mostra-esconde-mostra-esconde... desse Canto Escarlate cegou-me meu único tímpano e meus hímens (todos os cinco!) com seu silencioso grito e gritante silêncio a cortinarem o nenhum descortino do meu box Blindex com filme Rayban anti-assalto visual da vizinha vesga do apê em frente.

No Mata-borrão, cheguei na beira e olhei bem fundo, à caça do seu coração. Ou o de qualquer um que não o meu... porque abismos me dão vertigem, cócegas e enfarte, não necessariamente nessa ordem (ou NESTA ordem, se melhor lhe aprouver...). Então tudo que vejo é sonho, borrões oníricos que espiralam e vão evanescendo, como a fumaça do cigarro que bate e bate forte, cada vez mais forte no meu peito já por demais defumado.

(Fecho-me à citação, eu, estátua absoluta, ante tanto gesto gracioso seu.)

E esse hacai de fecho? Desencontrado como os mais preciosos encontros!
É nele que me quero perder, plantado na crista doce salgada da pororoca, surfando sem versos, mas com uma rima de lambuja... pipoca!

Ainda digo mais - e com todas, quase todas as letras: desculpe a franqueSa... pifou o Z do teclado!

Beijíssimos!

P.S.: Não me peça pra deixar de ser bobo. Não hoje, não qualquer dia que me seduzam com tanto pirulito, serpentina e pião.

Celso Mendes disse...

De um canto escarlate até a última pororoca do olhar só me deliciei. Como é gostoso te ler, Cris...

Beijos.

André Bessa disse...

Bom dia, Cris!

estes quatro poemetos, para mim, se encontram entre os melhores textos que já li de você. Quatro pequenas obras-primas em idéia, sonoridades e imagens.

Bom domingo, poetisa, um beijo.

André

Kelli Olmo disse...

Chegueiiiiiiiiiii!Adorando viajar nesse trem, vamos que vamos!!!!!!

Beijos, dona da lira.

Batom e poesias disse...

"Agora sim
Café com pão!
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
muita força"

e poesia...
Lindo tudo!

bjs
Rossana

MIRZE disse...

Tão suave e ao mesmo tempo forte!

Como a imagem, os versos vão indo até onde podem antes da " pororoca"!

Bárbaro!

Beijos

Mirze

dade amorim disse...

Ritmo e imagens muito boas, lindas, em especial Mata-borrão e o Hai-cai desencontrado. Adorei, Cris.

Beijo beijo.