domingo, 11 de julho de 2010

Contorsão

Torço a língua
Pra desmedir as palavras
Enquanto os verbetes
Sobejam intervalos

Dublando o impuro
O traço obscuro
Troveja na fossa

E traz veia exposta
Dentro da mordaça
Rasgando embaraços
Nos ínfimos bagos

Torço a língua
Pra despedir as palavras
Enquanto os falsetes
Solfejam abalos

Driblando o apuro
O trago escuro
Traceja na bossa

E faz vista grossa
Dentro da vidraça
Rangendo estilhaços
Nos íntimos cacos

(Cris de Souza)

25 comentários:

Patrícia Lara disse...

Oi, Cris, querida!

Mais uma vez vc arrasando nos versos! Maravilhoso este poema! E, vindo de vc, não poderia ser diferente, né?

Beijos,
Patrícia Lara

Cuca disse...

Bem mais que contorsionista, és uma artista completa!

Por isso te aplaudo na fila do gargarejo.

Beijossssssssssss!!!

Henrique disse...

que coisa dentro das coisas

A.S. disse...

Cris...
Gosto muito da tua poesia! A tua espressão poética é um permanente desafio ao desvendar das palavras!

Um beijo Poeta!
AL

Úrsula Avner disse...

Olá querida,

seus versos esbanjam lirismo em esmerado arranjo, onde imagens poéticas tecem um canto envolvente e lindo. Bj com carinho e obrigada pelas amáveis palavas em meu cantinho.

Úrsula

Ana Lucia Franco disse...

Cris, palavras desmedidas, mas bem colocadas. Teu poema contorce sim. Adoro esses furacões líricos. bjs.

Assis Freitas disse...

na língua um terço a desfiar,

beijo

Nane Martins disse...

Lindo Criz!

bjussss

Machado de Carlos disse...

é um mundo multicor! A vidraça obedece plenamente.

Andrea de Godoy Neto disse...

Cris, a contorsão é de quem lê, para abocanhar todos os versos, perdendo-se aqui e ali, tamanha a poética das palavras desmedidas.

lindo!

beijo

Valéria Sorohan disse...

Menina, esse poema é de uma beleza dolorosa.Coisa de lágrima escorrendo pelo rosto, como vidraça na chuva. Os céus protejam seus belos passeios nos campos da poesia.

BeijooO

Lara Amaral disse...

Alguma coisa contorce aqui dentro ao ler isso. Demais!

Beijos.

Zélia Guardiano disse...

Cris!!!
Versos lindos demais!
Tudo rigorosamente encaixado... Poema daqueles que, quando a gente acaba de escrever, dá vontade de ficar lendo, lendo... Ad eternum...(Não é assim mesmo?)
Enorme abraço, minha querida!

REGGINA MOON disse...

Cris,

Lindo, como sempre suas palavras tem o poder de nos enfeitiçar...

Driblando o apuro
O trago escuro
Traceja na bossa

E faz vista grossa
Dentro da vidraça
Rangendo estilhaços
Nos íntimos cacos

Sempre de raras rimas, belo verso!

Um grande beijo e ótima semana!

Reggina Moon

Erica Vittorazzi disse...

Muito bom, como sempre!!!!


Beijos

jorge manuel brasil mesquita disse...

Dobro o tempo
para não dobrar as vagas
que assolam o meu corpo dobrado
pelas estepes do vento
que se cola a esta vida
toda feita pensamento
toda espanto de não ser
o que só o mar sabe ter
e o que esta solidão
cabe onde não havia de caber
no tempo da dobragem.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 14/07/2010
etpluribusepitaphius.blogspot.com

Arnobio disse...

Torce, retorce e contorce...

Eis o que Cris faz com as palavras.

Trejeito literário? Seria o que Cris transmite de seu cérebro usando seus dedos?

Apenas sei que neste trem da lira tem viajante sem jeito de comentar, olha eu aqui.

Beijo viajando.

Pedro Aruvai disse...

sempre linda!

bjsss

Jorge Pimenta disse...

poema bifocal, em que as emoções eufóricas se desfocam em sentidos baços, como humidade no interior da vidraça. a ideia dos "bagos" que se estilhaça em "cacos" é o epicentro desta disforia poética!
bravo!
um beijo!

Renata de Aragão Lopes disse...

Nossos blogs têm a lira em comum!

Gostei daqui!

Beijo,
Doce de Lira

MAILSON FURTADO disse...

Excelente texto!!!

Parabéns, belo blog...

PARABÉNS!!!

Acesse:
http://mailsonfurtado.blogspot.com

AC disse...

A raiva por esvair, dita em tom de música experimental...

Bjs

aluisio martins disse...

lindo poema e mais o "verso nosso", amém...

Daniela Delias disse...

Oi Cris! Como não seguir esse trem? Tudo muito intenso e lindo por esses trilhos! Obrigada pela vista lá no blog, sigo-te tbém!!!

pablorochapoesias.com disse...

Uma poesia de gente grande!
Adorei!

Aplausos.

Beijo.