terça-feira, 15 de outubro de 2013

Acontece

Arte: Brooke Shaden


Acontece, há dias
Que a gente esquece
De viver

Acontece, há dias
Que a gente carece
De morrer

Dias desses de prova
Quando tudo que pesemos
Desterramos a sós

Dias desses de cova
Quando tudo que perdemos
Enterramos em nós


(Cris de Souza)

9 comentários:

Assis Freitas disse...

dias de nenhum, nenhuma


beijo

Domingos Barroso disse...

lírico, denso,
profundamente
doce e lúcido
...

dos mais belos
que eu li
...

Tania regina Contreiras disse...


Sim, uma das pérolas mais reluzentes desse seu colar belíssimo, maquinista. Senti na alma. Profundamente.

Beijos,

José Carlos Sant Anna disse...

Há desencanto no poema, sim. Embora organizado à volta desse desencanto, o poema tem um quê que o ultrapassa: é a presença das antíteses marcando o esforço de se constituir pela linguagem uma alternativa à opressão do desencanto, que é o jogo verbal. Este jogo surpreende o leitor diluindo o impacto do desencantamento que paira no texto.

Joelma B. disse...

Impressiona como as palavras obedecem à tua maestria!!

Poesia intuída é com cristalina!!

Beijos, amada!

JAIRCLOPES disse...

Limerique

Existe dia que apenas acontece
Como se tudo demais houvesse
Há pensamento vazio
Não há sequer calafrio
Porém, a gente sente que merece.

Ira Buscacio disse...

para enterramos os dias de nossas mortes é necessário que os velemos do início ao fim.

bj, minha Crika, poeta fodástica

André Foltran disse...

o que nesse poema não é lira...
DELIRA!

Thuan Carvalho disse...

quem perde sempre ganha, ainda que algo para lamentar.

a perda sempre é enterrada em nós... o que é um ganho, pelo menos para a poesia :D

;*