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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Um canto à parte

Arte: Nua Estrela


Como um canto
Desbocado
De Bocage

Como um canto
Em que a boca 
Age

Como um canto
Que arde ao chamar
O membro

Ai
Como a arte
Do encaixe

Canto o desejo
(Tanto)
A seu tempo

(Cris de Souza)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Tecido à tona

Fotografia: Jan Saudek


I.
Não sei 
Se te rodeio
Ou se a lírica 
Está a pé

Não sei 
Se te releio
Ou se a onírica
Está de pé

II.
Meu verso 
Se alinha
Onde reacende
A entrelinha

Meu nexo 
Se desalinha
Onde a reticência
Encaminha

III.
Sinto teu rastro 
Em toda vírgula 
E teu porto 
Entre as sílabas

Sinto teu ponto 
Em toda janela 
E teu sarro 
Entre as células

(Cris de Souza)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Partitura

Arte:  Brooke Shaden


I.
Toco tua voz velada
Para vibrar o destino
De meus versos insones
Frequentando teu nome
Em silêncio

Toco tua voz violada
Para virar o desvio
De meus versos em pane
Formigando teu nome
Em suspenso

II.
Na porosidade da harmonia
Os ruídos de entrelinhas
Provocam as mãos da memória
 

Na pluralidade da heresia
Os rugidos entre as linhas
 
Povoam os vãos da história

III
A singularidade absurda
Entoa entre os desnudos néons
Da moradia encoberta
 

A sonoridade aguda
Ecoa entre os mudos tons
Da melodia entreaberta
 

(Cris de Souza)


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Do ser sem rumo

Foto: Cris de Souza


Navega entre meus risos
Um choro perdido no mar

Enverga entre meus risos
Um choro retido sem ar

Meu ser circula nesse horizonte
Onde embarco as lágrimas
Que se disfarçam na espuma

Meu ser ondula nessa fonte
Onde abarco as lástimas
Que se esgarçam na bruma


(Cris de Souza)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O bruxo das letras



Poeta de corpo
coisas 
carinhos

Poeta de alma
armas
andorinhas

Poeta de palmas 
pegasus
pergaminhos

Poeta de eras
ermos
escrivaninhas

Poeta de marcas
melancolias
marinhos

Poeta de faces
fundos
formiguinhas

Poeta de reinos 
rasgos 
redemoinhos

Poeta de botas 
brumas
bainhas

Poeta de dobras
deixas 
descaminhos

Poeta de peso 
penas 
pracinhas

Poeta de sarcasmo
sonhos
sapinhos

Poeta de escarro 
epifanias 
entrelinhas

Poeta espantoso
tão lúcido
quão louco:



(Cris de Souza)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Acontece

Arte: Brooke Shaden


Acontece, há dias
Que a gente esquece
De viver

Acontece, há dias
Que a gente carece
De morrer

Dias desses de prova
Quando tudo que pesemos
Desterramos a sós

Dias desses de cova
Quando tudo que perdemos
Enterramos em nós


(Cris de Souza)

domingo, 22 de setembro de 2013

Ilimitada


(Arte: Brooke Shaden)



I.
Esculpi 
Minhas paredes
Em fagulha dardejante 
Realcei aquarela 
No alento de cores 

Encardi
Minhas redes
Em marulha errante
Alcei sentinela 
No acento de dores 

II.

Nos tablados
Rabisquei leve piso 
Aloucado de recantos 
Alumiei principado 
Incidi alívios 

Nos tornados
Borrei breve aviso 
Bronzeado de prantos
Anuviei povoado 
Infringi alísios

III.

Aliançada
Projetei meu esboço 
Dele apaguei o inatingível

Amotinada 
Fulgurei meu colosso 
Nele sublinhei o indefinível


(Cris de Souza)