sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Enigma


traço viril
céu anil
Cris tingia
alegria

trapo vil
véu hostil
Cris tecia
agonia

por um triz
sonho de giz
aos seus pés

por um viés
mais que feliz
ou revés

(Cris de Souza)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Química


quem é você
que cheira a erva
e pele na pele
seiva observa ?

quem é você
que beira a loucura
e fresta por fresta
teima frescura ?

tonteia, aflora...
veneno que areja
de afago que devora

permeia, desfolha...
sereno que esbraveja
de trago que vigora


(Cris de Souza)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A menina sonha


é repentina
a clareira que seduz
a menina

é adrenalina
a maneira que conduz
a menina

é sol de rua,
vivaz redemoinho
teu estado risonho

é pó de lua,
voraz olhinho
teu bocado de sonho

(Cris de Souza)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008


as flores
são aquarelas
tagarelas


(Cris de Souza)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pintura aberta


saudade aberta
oceano aquarela
a mim tu virás
em qual caravela?

vontade florindo
paisagem na tela
a mim tu virás
em qual primavera?

poente de frente
refúgio enfoca
retocar que me desloca

nascente de fronte
solando as fluentes
romper de mim vertente


(Cris de Souza & Cáh Morandi)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Pecado


diante você
silêncio fala
olhar é metal
eu, imã

diante você
palavra cala
rezar é carnal
eu, pagã

rosto perdura
de tanto olhar
dou meu tom,
dou meu meio
pra tu vibrar

gozo penetra
de tanto calar
dou meu som,
dou meu seio
pra tu rezar

(Cris de Souza)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Canto de encanto

(dedicado a Cesar)


asas negras
pássaro caro
de gorjeios
tão raros

essência alva
contorno de ouro
ole no couro

íris encanta
céu se tinge
de pura vertigem

lua bordas,
nasce pintura:
retrato de luminura !


(Cris de Souza)

Bafo quente


(presente de Dom Dom)


Mato cerrado dentro...
Beijo mordido, esfregado, comido
Corpo quente. Capim de ribanceira e lima-limão
Água de rio-cachoeira, desejo ardente
O vento navalha na copa das árvores
Ondulando folhas e feixe de lenha seca
Num sol quebrado de bocas e dentes
Veloz precipício profundo
Impulso cruzado do gozo


(Mara Araujo)


da lucidez
nunca fui
freguês

(Cris de Souza)

Dançares

(presente do Rai)

dançares
gestos e passos
desenham no ar
espaços infinitos
lugares de Deus

tua alma
bebe estrelas
no palco
hamonia de cores
sons de palavras
compondo poemas

teus olhos seguem
a lição das nuvens
no vôo dos pássaros


(Raimundo Lonato)

sábado, 18 de outubro de 2008

Monólogo


me pego
quadrando coisas
despejando jatos
entre emblemas
dos ensaios
viscerais

me cego
quebrando louças
driblando cacos
entre cenas
dos desmaios
invernais

punhado voraz
alicia palmas
entortando obstáculos
na absorção
do impacto
sem calma

tablado vivaz
tripudia vaias
esboçando vernáculos
na concepção
do espetáculo
na alma

(Cris de Souza)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Afim


tanta fé na loucura
nas travessuras
de confessos alvores

na invasão
de esconderijos
tão nítidos
das aberturas

quanta força na liga
nas figas
de impressos olores

na intenção
de gotejos
tão íntimos
das alturas

(Cris de Souza)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Oceano



fingia dormir
percebendo as ondas
vagas do mar
meio lento
por baixo vapor no ar

urgia fugir
merecendo os pés
da saga voar
seio ao vento
por cima a volta dar

nos ais
um marulho demente
sal a se ancorar
no oriundo ausente

no cais
um barulho indecente
nau a se livrar
do fundo presente

(Cris de Souza)

domingo, 5 de outubro de 2008

Cris-tal




(presente de Lisa & Nanda)

Água Cris-talina
de beber,
de lavar,
de imacular...

Pedra bruta que,
ao lapidar,
remete à luz
no ermo,
no êxtase,
no medo...

Brilho que sua e
transborda no amor,
pulando do cume da dor
ao reflexo na aurora boreal,
à explosão de cores do arco-íris...

Assim,
de nuvem em nuvem,
de estrela em estrela,
passando por meteoros
e meteoritos,
alça aos céus...

E surge no brilho da lua:
a lua de Cris-tal...

Simplesmente,
Cris – e coisa e – tal!!!

Lira



como conduzir
em versos
um querer
maior que o universo?

como traduzir
no papel
um luar
maior que o céu?

desde o primeiro olhar
te rimei com o mar
desde a derradeira travessia
paisagem ditou poesia


(Cris de Souza)