quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Viva




brinde ao dom que graceja
a toda flor, a todo perfume
límpido que areja

brinde ao tom que almeja
a toda cor, a todo lume
íntimo que lampeja

ajeita delírica imagem
instiga teu ser-humano
contorna véu na paisagem

aceita lírica viagem
repinta teu novo ano
adorna céu de coragem

(Cris de Souza)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Observação




será plausível
que perdemos
bem mais que temos ?

danos que nos causamos
contorcem estranhamente
fora da instância
que estira reação

será deduzível
que vivemos
bem menos que vemos ?

anos que nos devemos
distorcem claramente
dentro da distância
que revira coração

(Cris de Souza)

Enquadro


sob nossos segredos
arestas pernoitadas
de ensejo
na casca de madeira
rangem tom

arde nos lábios
tato harmônico
dentre partes
ensaia sem calma

sob nossos medos
retas madrugadas
de arejo
na lasca de clareira
rompem som

alarde nos raios
ato vulcânico
dentre artes
baila na alma

(Cris de Souza & André Ulle)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vigília


rasga
a fenda
que você
me remenda

folga
poro por poro...
abusa ao tocares
toda linha do visado

reza
a lenda
que você
me desvenda

prova
gole por gole...
suga nos altares
toda vinha do pecado

(Cris de Souza)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Espelho


estava vazio
ensejava
cobertura
ecoando fossas
transbordava
na procura
entre seus dedos
pra sua tez
um roço


(Cris de Souza & Andre Ulle)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Trem da lira


no trilho
do verso
clima da arte
expresso

no vagão
da lira
quadril da rima
transpira

a palavra
é combustão
do trem
que revira

(Cris de Souza)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Assim

no desvio
teu vestígio
fecunda licor

sede que
tesa se faz...
diz que é hora
e vem agora

no pavio
teu resíduo
firula vapor

cede que
acesa me faz...
diz que sim
e vem pra mim

(Cris de Souza)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Nós



Onde foi que me perdi
No primeiro olhar
Ou no aceno que segui ?

Onde foi que me prendi
No inteiro soltar
Ou no veneno que senti?

Nada é claro e tão distante....
A cada sorriso, malícia se aproxima
Se me deleitas, me veste de fascínio

Tudo é faro e tão gigante...
A cada gemido, delícia se inclina
Se me aceitas, me despe o domínio

(Cris de Souza)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Superlativo


Para reticência circular
Entre curvos falsetes
Perfurei um compasso
Que me pendesse

Para entrelinha frisar
Entre turvos verbetes
Procurei um espaço
Que me perdesse

De que me cabe apurar ?
Se deparo com incêndio no ponto
Exclamando arranjo
Agravado de cacos

De que me vale riscar ?
Se disparo num silêncio remoto
Interrogando rouco
Acentuado de hiatos

(Cris de Souza)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Certas coisas


Certas roupas
Não há senso
Não há vereda
Que faça rasgar
Transparecem sem curso

São trajes que incidem
Com o cavar dos panos
Gaveta estampa planos

Certas louças
Não há tempo
Não há veda
Que faça trincar
Endurecem sem uso

São peças que resistem
Com o filtrar dos anos
Ampulheta observa danos


(Cris de Souza)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Impasse


por qual tablado
cabe pisar
para oculto livrar ?

pra qual lado
chave virar
para vulto encarar ?

já não sei como ir
muito menos
por que ficar
sem teto polir

já não sei como abrir
muito menos
por que fendar
sem nexo porvir

(Cris de Souza)