quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pleno espaço


Palmas aos céus
Quando eu pousar
Plano sem som
Pra deslizar

De asas tortas
Num fino traço
Incendiar
Estrelas vãs

Trato de lua
Por dois silêncios
Único afã
Entreolhar

(Cris de Souza)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

No próximo horizonte


Na amplitude
Deito quimeras
Pra avisinhar

Olhar errante
Ao despertar
Areia é rente

Mundo inunda
Sede estranha
O presente

Chuva periga
Atravessa
A praia
Pra secar
No mar

(Cris de Souza)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

À flor da pele


no tal cantinho
que rego as cores
cortejo os lírios
(céu dos poetas)

goteja seiva
virando os cílios
por toda terra

fértil fragrância
irei plantar
muda esperança

(Cris de Souza)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Abre aspas



Se através do essencial
O coração te relê
Preciso versos
De amor lhe tecer ?

Se através do sinal
A intenção te revê
Preciso escapar
Pra você me render ?

Parte de mim é teu esquema
A outra parte é emblema

Parte do poema é teu pedaço
A outra parte é espaço

(Cris de Souza)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sem ode


por aqui, eu verso
lanterna queimada
dedos afundo
espreito corte
- papel reverso

por ali, eu verso
perna pesada
degredo secundo
estreito norte
- babel transverso

folha rasgada
brisa me traga
mas nem sei onde estou

escolha travada
divisa me flagra
mas nem sei quem eu sou

(Cris de Souza)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Só comigo


Então vem voar com comigo, amor !
Traz teu riso étereo, traz tua face...
Traz tua alma de pincel vibrante
Traz a mim o cântaro do teu horizonte
Encher as rimas nas cores da tua grandeza
Banhar-me na tinta que aflora
Em tua correnteza

Então vem voar comigo, amor!
Deixa tua vida, deixa tua carne...
Deixa eu ver a tua semente diamante
Deixa eu usar os teus brilhantes
Encher os versos de minha poesia oca
Iluminar-me no sol que mora
No céu da tua boca

(Cris de Souza & Ian Salvador)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Poema Cris-talino


Cris e etc.
Cris-tal
Me é tão clara
A poetisa

Mais que o Nirvana
E que o Tao
A gema clara
Cris-tal

Crises e eu
(Cris no plural)
Me é tão rara
A divisa

Mais que o bem
E que o mal
Um poema para
Cris-tal.

(Rodrigo Mesquita)

Adverso


Luares atravesso
Raiando versos
- Apuro

Mares do avesso
Olhar submerso
- Sussurro

Céu em chamas
Marulha vento
- Declama

A vida, o drama:
A trama. O tempo
- Exclama

(Cris de Souza & Lucas de Oliveira)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Releitura

por qual rascunho
se passa
a vida a limpo ?

o claro desgaste
das páginas
é negro na garganta do livro

por qual testemunho
se desembaça
o próprio punho ?

o caro contraste
da plástica
é sebo na estampa do vivo


(Cris de Souza)